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Melhor aquisição de livro em 2025


A melhor aquisição desse ano foi uma edição espanhola de A capacidade política da classe trabalhadora, o testamento político de Proudhon, datada de 1869 e com tradução de Pi Y Margall.

O exemplar foi possivelmente restaurado, pois está em ótimas condições, e possui uma dedicatória realizada em 1959.

Existe uma tradução parcial em português da obra pela editora Intermezzo.

As raízes dos projetos societários do anarquismo e do sindicalismo revolucionário estão aí esboçadas.

Particularmente na proposta de que a classe trabalhadora possui as condições para autogerir a economia e, assim, reinventar a política através do federalismo, por fora e contra qualquer tutela capitalista ou burocrática.

Proudhon nomeou isso, antes de trotskistas e maoístas utilizarem estes termos, de "democracia operária" ou "nova democracia", assentada na força coletiva dos produtores, organizada por um direito econômico e político comutativos e sinalagmáticos.

Um olhar sociológico atento também encontra aí as raízes da discussão sobre a autoprodução do social e da reciprocidade, temas estes que tanto fizeram as cabeças de Émile Durkheim e Marcel Mauss em suas críticas ao utilitarismo nas ciências sociais.

Lembrando que os durkheimianos foram leitores e comentadores de Proudhon.

Enfim, obra com desdobramentos frutíferos e longevos no socialismo e na sociologia, contudo, permanece quase desconhecida na esquerda e na academia de nosso país.

O peso de um livro vivo

 Encantado com a escrita da Aline Bei. Interessei-me por seu trabalho ao ler entrevista cedida pela autora ao jornal literário Rascunho, do qual sou assinante. "O peso do pássaro morto" é uma experiência e tanto de leitura, um ponto fora da curva, inesquecível!

Raphael Cruz

Da sociologia ao Marquês de Sade: uma memória de leitor na puberdade

O que é sociologia?, de Carlos Benedito Martins, foi o primeiro livro de sociologia que li na vida. Eu tinha uns 11 anos.

Ele estava num armário lá em casa, com outros de sexologia e gravidez da minha mãe, enciclopédias e livros de geografia, pedagogia, agronomia e ciências naturais dos meus tios.

Talvez a capa do livro tenha me chamado a atenção, pois achava esquisito uma pessoa sentar-se nas costas de outra. Abri o livro e comecei a ler. Lembro de não entender nada.

Oito anos depois, o reencontrei numa disciplina de introdução à sociologia no primeiro semestre da faculdade de ciências sociais.

Quando descobri o mundo das enciclopédias, sempre voltava aquele armário. E quando eu e @danielsdh passamos a ler histórias em quadrinhos, passamos a guardá-las ali também.

Com 12 ou 13 anos, eu descobri ali um livro diferente. Não se parecia com nada que lia na escola ou nas histórias dos X-Men. Era simplesmente a Filosofia na Alcova, do Marquês de Sade. Achei bem melhor do que sociologia, pelos motivos que qualquer menino na puberdade acharia rsrsrs. Li escondido até o dia em que meu tio descobriu e escondeu o livro de mim. O que era algo que qualquer adulto razoável deveria fazer.

Por mais que o contato precoce com a sociologia tenha sido entediante, aprendi a ver sentido nela e, anos depois, ela se tornou a minha profissão.

Essas situações envolvendo livros chatos e outros excitantes me fazem pensar em Pierre Bourdieu e o que ele falava sobre como a herança cultural é repassada entre as gerações de uma família.

O livro nunca me foi um objeto estranho porque sempre tinha algum em casa, ainda que nem todos eu pudesse ler na puberdade. Só li Sade novamente aos 20 e poucos anos, um livro escandaloso intitulado Justine. 

A representação do eu

 A representação do eu na vida cotidiana é um livro clássico, no qual Erving Goffman inaugura sua "sociologia dramatúrgica", comumente confundida com o interacionismo simbólico. 

Nesta obra, publicada em 1956, ele utiliza a metáfora do teatro para analisar as interações sociais, sugerindo que as pessoas, ao se relacionarem, estão encenando papéis diante dos outros, como se estivessem num palco. 

Li pela primeira vez em 2012, para a seleção do mestrado em sociologia da UFC, na qual fui aprovado.

Morreu o homem que inventou a adolescência

Morreu nesta quarta-feira (27) o escritor J. D. Salinger, autor do clássico O Apanhador no Campo de Centeio.

Este é um livro que você carrega para a vida inteira, principalmente se o ler na adolescência.

Quando o li já estava com 23 anos e me arrependi de não tê-lo lido com 17.

Mesmo assim me identifiquei com o protagonista, o jovem e inquieto Holden Caulfield.

Salinger levou uma vida reclusa, longe da imprensa e das investidas de diretores e editores de criar uma continuação de seu livro clássico.

O diferencial  de seu livro para a época em que foi escrito (1951) foi ter colocado como protagonista um adolescente, o que era raro num mundo literário dominado pela figura do adulto.

Alguns chegaram a afirmar que Salinger inventou a adolescência na segunda metade do século XX.

Se você conhece algum jovem inquieto no auge de sua juventude, não deixe de recomendar a leitura de O Apanhador no Campo de Centeio, talvez ele te agradeça no futuro.

Mas mesmo que você não seja mais um garoto, não deixe de ler, poderá descobrir ou redescobrir coisas esquecidas.

Treinando numa Smartfit pela primeira vez

  Brasília, 02 de julho de 2026 1. Primeira vez numa Smartfit. 2.  Achei escura. A última vez que estive num lugar assim foi num show de ...