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Explicando o modelo sindical da CNT [Tradução]



por Miguel G. Gómez (@blackspartak)

Dadas as dúvidas em torno do atual modelo sindical da CNT, apresentarei um panorama histórico para contrastá-lo com o modelo de representação unitária (conselhos de fábrica), bem como para destacar a continuidade e os paralelos entre diferentes exemplos e períodos. Portanto, analisaremos esses modelos desde suas origens para facilitar sua compreensão. 

A representação “unitária”

Começaremos por recuar até à época da Primeira Guerra Mundial. Nessa altura, o Segundo Reich alemão precisava de garantir a produção industrial para a guerra. Para isso, exigia que a classe trabalhadora industrial fabricasse tudo o que o exército necessitava para travar as suas batalhas. Os sindicatos alemães eram esmagadoramente dominados pela social-democracia, e esta última tinha concordado em ir à guerra ao lado da burguesia e da aristocracia nacionais — destruindo, aliás, a Segunda Internacional. Como o Estado alemão não queria problemas com os trabalhadores, garantiu a existência desses sindicatos. 

Contudo, em locais onde não existiam sindicatos, era preciso encontrar uma forma de manter os trabalhadores em silêncio… mas ainda assim impedi-los de formar sindicatos. A solução foi nomear representantes sindicais eleitos pelos operários da fábrica. Esses representantes eram responsáveis ​​por negociar as condições de trabalho com a empresa. A social-democracia aceitava que esses delegados operários estariam subordinados às necessidades da produção em tempos de guerra e que a organização seria hierárquica. Mais tarde, uma facção radical emergiria entre esses representantes, conhecida como Trabalhadores Revolucionários, que defendia a autonomia da classe trabalhadora e que foi a semente do Partido Comunista do pós-guerra, mas essa é outra história. [1]

Consideremos o terror que a Revolução Russa, os sovietes húngaro e bávaro, os conselhos operários alemães e os motins nas marinhas francesa e britânica, entre outros casos, representaram para a burguesia internacional. A classe trabalhadora ameaçava com a revolução social em todos os lugares, e era preciso encontrar algum meio de sufocar sua inquietação. O melhor que os vencedores da Grande Guerra conseguiram foi atender a algumas de suas reivindicações históricas.

O Tratado de Versalhes de 1919 estabeleceu um organismo internacional para regular as relações laborais: a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Vale lembrar que o destino da Europa foi decidido em Versalhes. Em sua declaração de fundação, a OIT falou sobre garantir a paz futura por meio da justiça social e laboral. Em outras palavras, todos estavam bem cientes das reivindicações da classe trabalhadora. Essas frases ainda aparecem no site da OIT. Hoje, ela é uma agência das Nações Unidas. 

A OIT foi estruturada como uma organização supranacional, composta por delegações de seus Estados-membros. O termo "liberdade sindical" foi cunhado em suas declarações iniciais. [2] As delegações eram tripartidas, com representantes do Estado, das associações patronais e das organizações operárias. Essa instituição internacional era liderada pela burguesia liberal progressista, pela social-democracia e pelo movimento operário. A Espanha participou da OIT desde o início, na primeira Conferência de Washington. O primeiro representante sindical espanhol foi Francisco Largo Caballero, líder da UGT (União Geral dos Trabalhadores). Ele foi eleito para o Conselho de Administração. 

Mas espere um minuto. O maior sindicato espanhol em 1919 era a CNT. Então, o que a UGT estava fazendo na OIT? 

O mesmo acontecia com as delegações de trabalhadores de outros países, como a Holanda, que levavam sindicatos menores (mas mais complacentes) à OIT em vez de sindicatos maiores (mas mais radicais). A chave está no Artigo 389.3 da OIT, que afirma que as “organizações profissionais mais representativas” são aquelas que comparecem, juntamente com representantes do Estado e dos empregadores, de cada país, à Conferência anual da organização. [3]

Assim, cada estado criou seu próprio sistema para determinar qual sindicato era o mais representativo. Em alguns casos, baseava-se na filiação, em outros em algum tipo de disputa eleitoral para avaliar sua força em relação a outros sindicatos. Mas em outros casos, era uma completa anarquia, na qual os governos indicavam os sindicatos de sua escolha. Seja qual for o método, o fato é que, por insistência de organizações internacionais, foram criados órgãos tripartites para mediar as relações trabalhistas na época. 

Em consonância com esse espírito, no Estado espanhol, já em 1919 e 1920, começaram a ser aprovadas leis de tipo corporativista que criavam comissões mistas e conjuntas do trabalho baseadas no interesse social, que nada mais eram do que o “estabelecimento de órgãos e regras que permitam a solução harmoniosa de todas as diferenças que possam surgir entre empregadores e empregados […] antes que se transformem em conflitos” (4). Em outras palavras: evitar greves, sabotagens, boicotes e toda aquela luta operária que empoderava o proletariado e lhe dava a perigosa ideia de fazer a Revolução Social. 

Após o golpe de Estado de Miguel Primo de Rivera (1923), a UGT (União Geral dos Trabalhadores) participou das comissões mistas ou de paridade da ditadura. Isso ocorreu a pedido de Largo Caballero, que defendia a participação nas instituições de Primo de Rivera que tratavam de questões sociais. De fato, ele próprio atuou no Conselho de Estado. A ditadura pretendia criar um "parlamento corporativista" no qual tanto empregadores quanto trabalhadores seriam representados. Para isso, seriam necessárias eleições sindicais. No entanto, esse projeto jamais foi implementado. Desnecessário dizer que as decisões de Largo Caballero provocaram uma tempestade política dentro do movimento socialista, que, em sua maioria, discordou de toda a situação. 

Também podemos observar esse tipo de instituição mediadora na criação dos júris mistos em 1931, [5] durante a Segunda República. A lei foi promulgada pelo Ministro Republicano do Trabalho e da Previdência Social, Largo Caballero. A função dos júris mistos era regular as relações trabalhistas. Eles eram compostos por representantes de associações patronais e representantes de associações operárias. A CNT (Conferência Nacional sobre o Trabalho) defendeu o boicote a eles desde o início, e, portanto, os júris mistos nunca conseguiram se desenvolver suficientemente ou se consolidar.

Vejamos agora qual era a proposta anarcossindical no âmbito empresarial. 

Os comitês de fábrica 

Em 1931, em seu Terceiro Congresso, a CNT aprovou a criação de comitês de fábrica e oficina como complemento necessário aos Sindicatos Unificados. Até então, os sindicatos eram representados apenas pelo delegado, responsável pela arrecadação das mensalidades e com poder para negociar coletivamente com a empresa. Mas a CNT desejava que essa implementação fosse mais profunda e alinhada ao objetivo anarcossindicalista de socialização das empresas. Propuseram que esses comitês tivessem uma dupla missão: "essa missão, além de ser a confirmação prática do federalismo, é um ato de penetração, primeiro, e de gestão, depois.". [6]

Os comitês de fábrica serviram para descentralizar o sindicato e estender sua estrutura a centenas de locais de trabalho. Dessa forma, os conflitos seriam gerenciados diretamente pelos novos comitês e não precisariam mais recair sobre os ombros dos sindicatos individuais ou das seções locais, que controlavam os delegados. 

Neste caso, quando falo de seções, estou me referindo aos tipos de ofícios em que os sindicatos industriais eram subdivididos. Por exemplo, marmoristas ou estucadores formavam seções dos sindicatos da construção civil. Estas não devem ser confundidas com as seções sindicais de hoje. Eram remanescentes das antigas associações de trabalhadores que se fundiram nos sindicatos unificados.

Portanto, o comitê de fábrica tinha que realizar uma tarefa, que chamavam de "penetração", para ser admitido como representante dos trabalhadores, obter acesso ao controle estatístico da produção e promover a formação do proletariado nos aspectos organizacionais e administrativos da economia. Esperava-se que esses comitês de fábrica fossem responsáveis ​​pela gestão das empresas assim que a Revolução Social começasse. 

Os militantes revolucionários da época conseguiam explicar a função desses comitês e como eles se encaixavam nos planos revolucionários do movimento libertário. Por exemplo, Buenaventura Durruti, em um comício antes das eleições de novembro de 1933, para as quais a CNT e a FAI defendiam a abstenção, expressou-se com estas palavras:

"A FAI aconselha os trabalhadores da CNT, visto que a CNT controla as fábricas e os locais de produção, a não abandonarem seus postos; a permanecerem junto às máquinas e, em caso de tentativa de ditadura ou golpe militar, a responderem de forma plena e enérgica, como for necessário. Os comitês técnicos e de fábrica devem estar vigilantes. Um conselho também aos membros da FAI: Seu posto se estende além da fábrica. Lembremo-nos da Itália. A ação complementar é essencial. Diante do fascismo de Gil Robles, diante de qualquer tentativa militar ou de outra natureza, os trabalhadores devem tomar imediatamente as fábricas. Os homens da FAI irão para outros lugares para completar a revolução iniciada com a tomada dos meios de produção." [7]

Em outras palavras, em uma revolta proletária, os trabalhadores devem tomar as fábricas, e os comitês de fábrica são responsáveis ​​por administrá-las. Enquanto isso, os revolucionários "nas ruas" lançarão uma ofensiva para controlar todos os pontos estratégicos da cidade ou região. Esse é o mesmo esquema que foi seguido após 19 de julho de 1936, e é o prelúdio para as coletivizações industriais que proliferaram no território republicano. 

A união vertical

Durante os primeiros anos do regime franquista, Franco retirou a Espanha da OIT (1941), acreditando que os nazistas venceriam a guerra. Isso se deu em parte para usar mão de obra escrava na reconstrução do país e em parte para continuar a acumulação de capital sem precedentes e criminosa pelos vencedores. A maioria das empresas listadas no IBEX 35 tem origem nesse saque.

Contudo, em 1944, ficou claro que os Aliados venceriam a guerra. O regime decidiu mudar completamente de postura para projetar uma imagem mais aberta. Para esse fim, criou um único sindicato hierárquico ao qual todos eram obrigados a pertencer. Obviamente, todas as associações empresariais, organizações agrícolas e sindicatos anteriores foram dissolvidos. O regime não pretendia legalizar a UGT e a CNT, que haviam lutado contra ele na guerra de 1936 e já se organizavam clandestinamente naquela época.  

Assim, naquele ano, a Organização Sindical Espanhola (OSE) foi lançada como instrumento do Estado totalitário, com a missão de implementar a política econômica. A OSE era dirigida pela Falange e tinha representação em diversas instituições estatais (câmaras municipais, conselhos provinciais, as Cortes, etc.). Promovia a harmonia e a colaboração entre as classes sociais num sentido corporativista e fascista, típico do início do período franquista. Mas o aspecto que interessava à classe trabalhadora era que uma das funções da OSE seria transmitir as aspirações dos produtores às camadas superiores da sociedade. [8] 

A partir de 1944, também foram realizadas eleições sindicais para escolher delegados, denominados representantes sindicais e júris empresariais. Esses órgãos resolviam conflitos trabalhistas no Tribunal do Trabalho. Percebe-se, portanto, que se tratava de um órgão mediador em consonância com as práticas da OIT. 

Naquela época, numerosos sindicalistas, antigos membros da UGT ou da CNT, foram eleitos como representantes sindicais pelos seus colegas. Não se tratava de uma questão política, mas sim prática, uma vez que eram eles os mais bem preparados para defender os interesses dos trabalhadores e os que melhor conheciam a legislação. No caso dos militantes da CNT, quando um deles era eleito representante sindical, era expulso da Confederação por colaboração com o regime. Nesse período (1944-47), os movimentos guerrilheiros estavam no auge, e era até comum pensar que os Aliados interviriam em Espanha assim que a Segunda Guerra Mundial terminasse. 

Em 1948, Stalin convocou o Partido Comunista para uma reunião em Moscou. Foi nesse momento que abandonaram a guerrilha e seus membros foram incentivados a participar dos canais oficiais da ditadura franquista. Consequentemente, o PCE (Partido Comunista Espanhol) criou a Oposição Sindical Operária na década de 1950, seguindo instruções da URSS, com a missão de participar dos processos eleitorais dos sindicatos oficiais, controlados pelo Estado. Inicialmente, não obtiveram resultados positivos, mas gradualmente ganharam experiência e conseguiram tirar proveito de leis específicas, como o regulamento que regia os conselhos de fábrica (1953) e os acordos coletivos de trabalho (1958). Por fim, alcançariam considerável influência dentro do movimento operário e até mesmo dentro dos próprios sindicatos oficiais. Um desses líderes, formado durante esse período, foi Marcelino Camacho.

Foi durante esses anos que a Espanha começou a se alinhar com a Europa em diversos aspectos, inclusive trabalhista. Isso levou ao seu retorno à OIT em 1956. Perante a comunidade internacional, o regime franquista apresentou as eleições sindicais como justificativa para sua liberalização social. A partir desse momento, a Espanha franquista passou a se alinhar com as potências econômicas do bloco ocidental durante a Guerra Fria. Como resultado, os Estados Unidos alertaram sobre o crescente poder dos comunistas nas eleições sindicais. Portanto, na década de 1960, fortaleceram a social-democracia em conjunto com a Alemanha. Quadros socialistas e da UGT (União Geral dos Trabalhadores) foram treinados para competir contra os comunistas também no ambiente de trabalho. 

Entretanto, no início da década de 1960, os líderes sindicais do PCE começaram a se organizar em comitês de trabalhadores dentro das empresas para negociar coletivamente. Essa abordagem obteve um sucesso estrondoso nas eleições sindicais de 1966 e, a partir daí, o regime franquista perdeu parte do controle sobre o movimento operário, que se radicalizou cada vez mais nos anos seguintes, principalmente de 1969 até a morte do ditador. 

A Transição 

A intervenção decisiva dos Estados Unidos e da Alemanha conseguiu estabelecer uma social-democracia forte na Espanha, que havia sido marginal durante o regime franquista. No que diz respeito às relações trabalhistas, após a aprovação da Constituição em 1978, o Estatuto dos Trabalhadores foi promulgado em 1980. Enquanto este estava em tramitação, ocorreram as eleições sindicais de 1978. O Estado se viu na necessidade de conciliar as expectativas dos comunistas, que se consideravam os claros vencedores dessas eleições, com a necessidade de fortalecer a recém-formada UGT (União Geral dos Trabalhadores). Portanto, manteve o modelo anterior, mas o abriu para candidatos sindicais, que seriam representados nos conselhos de fábrica, como desejavam os socialistas. Esses conselhos seriam eleitos pelos trabalhadores de uma empresa ou local de trabalho.

Podemos entender isso como uma solução à la Salomão: por um lado, apaziguaram os comunistas, que já eram hábeis em vencer essas eleições, e por outro, criaram um contrapeso à UGT, que na época exigia representação sindical. É um acordo muito típico do período da Guerra Fria na Europa Ocidental. O novo sistema funcionava de maneira muito semelhante ao que funcionava sob Franco, mas com a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. 

Mas, para resumir o período de transição, é necessário compreender outros aspectos do contexto: 

Em primeiro lugar, houve a enorme militância dessa época, que teve início no período anterior. O número de greves disparou para níveis sem precedentes. Assembleias proliferaram em locais de trabalho e bairros. Houve inúmeras manifestações e, sobretudo, esperanças de mudanças substanciais. Além disso, o anseio por liberdade criou um clima político e social totalmente novo, muito aberto e assertivo, que fomentou o associativismo em todas as esferas da vida.

Em segundo lugar, a CNT foi reconstituída bastante tarde, em 1976, atraindo setores da classe trabalhadora insatisfeitos com a CC.OO. e aqueles mais alinhados emocionalmente com a CNT histórica. Naquela época, a Confederação era muito heterogênea e variava consideravelmente de um lugar para outro. Deve-se acrescentar que ela nunca foi um sindicato tão grande quanto a propaganda anarco-sindicalista da época afirmava, embora tivesse considerável influência social, em parte graças à juventude da classe trabalhadora e, em alguns casos, à contracultura.  

Em terceiro lugar, com a assinatura dos Pactos de Moncloa (1977), os políticos e militares do "bunker" pós-franquista pretendiam deixar tudo "sob controle e em segurança". Concordaram com políticos e sindicatos de esquerda numa paz social duradoura para inaugurar uma era de desenvolvimento e entrada numa sociedade de consumo. Um dos elementos-chave dos pactos foi a aprovação de eleições sindicais, a serem realizadas no ano seguinte. Como vimos, a principal intenção era apaziguar as duas principais federações sindicais em troca da sua renúncia a greves significativas. 

Até então, a UGT se opunha às eleições sindicais, pois buscava restaurar a estrutura dos sindicatos históricos, assim como a CNT. Por sua vez, as Comissões Operárias se estruturariam formalmente como uma central sindical em 1976, já que planejavam participar das eleições sindicais de 1978, destinadas a sindicatos legalmente constituídos, e não a grupos de trabalhadores auto-organizados. Elas elegeram Marcelino Camacho como Secretário-Geral. 

Em quarto lugar, por volta de 1978, uma grave crise se instalou. Isso levou a uma queda na filiação sindical, e muitas pessoas abandonaram o movimento sindical devido ao aumento do desemprego e ao fechamento de muitas empresas. Isso marcou o início do que ficou conhecido como "desencantamento". Também desencadeou crises significativas em todas as organizações revolucionárias de esquerda, que viram a janela de oportunidade aberta após a morte de Franco se fechar. Essa nova situação pode ser explicada por uma combinação de problemas internacionais, mudanças geopolíticas, ações do Estado e seus infiltrados na esquerda, ascensão da sociedade de consumo, uso de heroína, violência policial, terrorismo, fascistas nas ruas, e assim por diante. Todos esses fatores contribuíram para esse desencantamento em diferentes graus. 

O ciclo terminou com o golpe de Tejero, a Copa do Mundo de 1982 e a vitória esmagadora do PSOE nas eleições. Agora, vejamos a trajetória do anarcossindicalismo após o auge de 1975-78. 

A CNT foi a única a rejeitar completamente as eleições sindicais. Mesmo assim, alguns membros da CNT participaram das eleições sindicais de 1978. Sob a bandeira da CNT, 413 delegados foram eleitos, apesar da recusa formal da Confederação em participar desses processos eleitorais. Essa recusa foi reafirmada no Congresso da CNT em dezembro de 1979. O argumento da CNT para não participar era que essas eleições quebravam a unidade efetiva da força de trabalho nos locais de trabalho, pois forçavam os trabalhadores a participar de disputas eleitorais. A CNT também defendia, como vimos anteriormente, um retorno à estrutura dos sindicatos tradicionais. Além disso, naquela época, a CNT dava grande ênfase à autogestão. Embora não fosse equiparada ao comunismo libertário, essa autogestão servia para moldar uma era em que as empresas estavam fechando e podiam ser convertidas em cooperativas por seus trabalhadores, uma aspiração compartilhada pelo anarcossindicalismo. 

Pouco depois, em meados de 1980, um grupo de sindicatos que havia desafiado o Quinto Congresso se reuniu em Valência para criar uma nova organização. Ela ficou conhecida como "Congresso da CNT Valência". Nos anos seguintes, a CNT expulsou outros sindicatos, perpetuando o clima amargo de divisão e conflito que havia começado na primavera de 1978. 

Em 1983, para o seu Sexto Congresso, a CNT publicou os seus acordos em vigor até então. [9] Os comités de fábrica e de oficina continuavam a ser listados como um elemento fundamental. O texto era uma simples adaptação dos acordos de 1931, embora fosse evidente que se referiam à secção sindical. 

É relevante observar, nesse mesmo jornal, a avaliação que fizeram de como haviam conduzido suas negociações coletivas até então. Em sua autocrítica, destacaram os seguintes fatores: os acordos da organização eram excessivamente teóricos e ideológicos, muito distantes da realidade trabalhista do país; os membros eram jovens e inexperientes, carecendo de preparo para a negociação coletiva; as disputas internas impediam críticas construtivas, e havia muita desconfiança entre os membros, o que impedia a busca por soluções práticas por medo de serem rotulados como "reformistas"; haviam dado muita importância às eleições sindicais, ignorando o fato de que muitas pessoas não participavam delas; suas seções sindicais não tinham presença suficiente, recorrendo a queixas junto aos outros grandes sindicatos; o programa da CNT não havia sido comunicado de forma eficaz aos membros; e, por fim, reconheceram a vulnerabilidade de muitas seções, que ficaram à deriva, isoladas, sem o apoio de seus próprios sindicatos. [10]

Naquela época (1983), a CNT aprovou uma reivindicação pela dissolução dos conselhos de fábrica e pelo fortalecimento das seções sindicais como forma de representação dos trabalhadores nas empresas. Aceitaram a realização de eleições, mas apenas para medir o grau de representação sindical nas empresas sem ter que recorrer à mobilização constante, e não para construir um órgão intermediário entre a empresa e os trabalhadores. [11]

Contudo, naquela época, havia vários sindicatos filiados à CNT que defendiam a participação nas eleições sindicais. A proposta deles era retirar o poder dos comitês internamente e promover a participação dos trabalhadores em assembleias organizadas pelos próprios comitês. Essa opção ganhou considerável apoio em 1983, chegando até a vencer brevemente o congresso. Mas o acordo foi rapidamente modificado e o assunto foi abafado, para grande indignação de seus defensores.

Isso levou ao Congresso de Unificação Confederal, realizado em 1984. Nessa época, um número significativo de sindicatos da CNT-AIT, favoráveis ​​à participação nas eleições sindicais, aderiram à nova organização, denominada CNT-Unificada. Em outras palavras, juntaram-se aos sindicatos que haviam se desligado e sido expulsos da CNT. Em poucos anos, essa organização precisou mudar de nome, tornando-se a atual CGT. 

O modelo sindical da CNT

A CNT levou muitos anos para implementar seu modelo. Embora já o tivesse em vigor em 1983, a Confederação estava tão enfraquecida por problemas internos e pela incapacidade de compreender que um modelo sindical também exigia ação sindical consistente, que reagiu lentamente, permanecendo em grande parte teórica. É por isso que, em diversos congressos da CNT, surgiram propostas para participar das eleições sindicais, demonstrando uma falta de confiança em seu próprio modelo.

Em 1985, o governo aprovou a Lei Orgânica da Liberdade Sindical. Essa lei reconhecia os direitos das seções sindicais. Na realidade, ela copiava as diretrizes da OIT sobre liberdade sindical. 

A partir de então, a CNT concentrou-se em aprimorar seu próprio modelo, apesar de seu pequeno porte. Durante esse período, dada a sua fragilidade, muitas seções sindicais foram reduzidas ao mínimo, incluindo seções compostas por apenas uma pessoa, a fim de defender os empregos contra represálias da empresa. Essa prática coexistiu com a existência de algumas seções significativas. 

De um modo geral, os seções cresciam durante períodos de conflito e desapareciam durante períodos de calmaria, como durante as greves nos estaleiros na década de 1980. Mas a perspectiva mudou radicalmente no início dos anos 2000 com as greves de Tomares, Mercadona e, posteriormente, Caprabo, onde as lições das anteriores foram aprendidas e novos seções foram fortalecidos nos locais de trabalho.

Embora alguns indícios de um modelo distinto tenham começado a surgir no Congresso de Bilbao em 1990, esse congresso, na verdade, focou mais no outro modelo. No Congresso de Granada em 1995, um modelo sindical separado foi teorizado, mas carecia de desenvolvimento prático. Foi somente a partir de 2008-09 que um modelo sindical distinto foi discutido com mais clareza e incorporado definitivamente aos acordos de ação sindical da CNT no Congresso de Córdoba em 2010. Seu desenvolvimento deu mais um passo adiante no Congresso de Saragoça em 2015 e atingiu sua maturidade final no Congresso de Canovellas em 2022. 

O modelo baseia-se no que chamamos de representação sindical, que já discutimos detalhadamente. Dentro das seções sindicais, os cargos e as tarefas são distribuídos. É a atividade sindical, e não os cargos, que protege você da repressão e das demissões por parte da empresa, portanto, todos os membros da seção devem cumprir as obrigações sindicais. Quanto mais trabalho sindical demonstrável você realizar, maior será a sua proteção. 

Todos os cargos (delegado, secretário de prevenção, secretário de organização, tesoureiro, secretário de igualdade, etc.) são revogáveis ​​a qualquer momento pela assembleia. Isso permite o controle democrático da seção, que nomeará quem julgar adequado para desempenhar as funções necessárias. Esses membros podem distribuir informações relacionadas ao trabalho fora do horário de expediente, receber informações enviadas pelo sindicato, cobrar as mensalidades dos membros, e assim por diante. 

O modelo sindical da CNT baseia-se na filiação, ou seja, em um número suficiente de membros. É isso que confere legitimidade à seção local. Para alcançar melhorias por meio da negociação coletiva, é preciso ter força. As seções locais podem negociar acordos justos, aumentos salariais ou opor-se a demissões em massa. 

Durante muitos anos, toda uma rede de proteção legal foi implementada para esses setores graças a inúmeras decisões judiciais que a CNT venceu pacientemente. A Organização adaptou-se a esse sistema e criou seus próprios recursos para apoiar os setores em conflito, como o Escritório Técnico Confederal e o Fundo de Resistência Confederal.

Em comparação, na década de 90, a dinâmica na CNT era reclamar da discriminação injusta sofrida pela Confederação, cujas seções tinham o acesso ao quadro de avisos, aos horários, às instalações do sindicato, etc., negado.

No caso dos conselhos de empresa, a CNT os considera órgãos sobre os quais os sindicatos têm pouco controle real e dos quais a autonomia da classe trabalhadora é negada. Ter autonomia implicaria ter estruturas organizacionais que não sejam mediadas pelo Estado ou pelos empregadores. O importante é saber quem nomeia nossos representantes nas empresas e qual órgão é responsável por implementar as ações sindicais. 

Não podemos esquecer que um conselho de trabalhadores é um órgão coletivo onde as decisões são tomadas por maioria simples. Portanto, depende do equilíbrio de poder entre os diferentes sindicatos que o compõem. Em outras palavras, o que importa não é simplesmente ter presença, mas sim ter maioria no conselho.

Encontramos muitos candidatos nas eleições sindicais que nem sequer são membros do sindicato que representarão na comissão. Encontramos representantes sobre os quais os seus próprios sindicatos não têm qualquer controle, e seções sindicais de outros sindicatos sem poder de ação, uma vez que toda a ação concreta é delegada ao órgão unificado, o conselho de fábrica. Portanto, não há absolutamente nenhuma possibilidade de algo que se assemelhe a uma ação direta. Que tipo de mobilização podem eles promover nestas circunstâncias?

Um comitê desse tipo, sem apoio real (embora algum apoio exista), não é considerado uma ameaça séria para a empresa. Não custa nada para as empresas montar uma chapa de candidatos com familiares ou funcionários alinhados aos interesses da administração. Afinal, é a empresa que define as urnas e é perfeitamente capaz de influenciar os resultados. Essas chapas pró-empresa competem com as apoiadas pelos trabalhadores. E isso sem levar em conta que as eleições sindicais acontecem a cada quatro anos e que a maioria dos sindicatos não aproveita esse período para garantir melhorias imediatas, mas sim para incluí-las em sua plataforma e ver se conseguem votos… “e então, talvez”, essas melhorias sejam negociadas. 

É por isso que a CNT acredita ser melhor organizar-se coletivamente dentro do mesmo sindicato por meio de uma seção local, que pode então agir imediatamente. E isso será feito sem subsídios ou tempo sindical concedido pela empresa, o que pode parecer uma desculpa ideológica, mas é uma forma muito real de pressão usada pelas empresas. O anarcossindicalismo é mais prático do que ideológico, mesmo que possa parecer o contrário, e rejeitar esses privilégios serve para garantir nossa autonomia de classe. Tudo isso é feito para que o controle permaneça com o sindicato, a seção local e os trabalhadores que a compõem. Em última análise, baseia-se na construção de uma rede associativa dentro das empresas — poder popular, poder operário ou como quisermos chamar. 

Mais especificamente, dentro dos atuais acordos da CNT, as seções locais devem apresentar suas próprias reivindicações. Particularmente importantes são aquelas relacionadas à igualdade de gênero e ao respeito à diversidade LGBTQ+, que devem ser garantidas pela seção tanto dentro da empresa quanto em suas relações internas. Da mesma forma, a seção pode começar imediatamente a defender questões relacionadas à transição socioambiental, como auxílio-transporte, redução de resíduos, melhoria da segurança, higiene e reciclagem, redução da poluição e do impacto ambiental, e qualquer outra questão que considerem pertinente. Em um contexto de decrescimento, as seções locais podem propor mudanças na forma como os setores produtivos operam e transformar os métodos de produção. Nesse caso, tudo depende da força e também do grau de politização de cada seção, uma responsabilidade que recai sobre os sindicatos e sua capacidade de capacitação. 

Outro aspecto notável é que a atual CNT possui um programa revolucionário adaptado ao século XXI. Embora seja um processo de longo prazo, entende-se que as seções locais também precisam estar preparadas. Por exemplo, se o objetivo for controlar o acesso ao emprego, as seções sindicais devem colaborar com agências de emprego e associações de desempregados, facilitando entrevistas bem-sucedidas durante o processo seletivo. Ou, se for realizada uma análise setorial, as seções de um setor específico podem colaborar. E com isso, fechamos o ciclo deste artigo, retornando à ideia da seção sindical como semente da socialização das empresas dentro da implementação do comunismo libertário. 

Final

Hoje, a Confederação ultrapassou o número de membros de 1983 e está presente em centenas de empresas. Podemos afirmar que o crescente descontentamento com o modelo de conselho de empresa após quatro décadas, e o fato de o atual panorama empresarial ser cada vez mais composto por pequenas empresas, também contribuem para esse cenário. De qualquer forma, considerando as atuais taxas de sindicalização, todos os sindicatos têm um potencial significativo de crescimento, e não devemos nos desculpar, visto que na Espanha existem 20 milhões de trabalhadores assalariados sem representação sindical e, portanto, sem qualquer modelo sindical. 

A CNT precisa aprimorar sua estrutura, pois muitas pessoas não estão acompanhando o ritmo e nem todos os sindicatos têm as mesmas capacidades. Será necessário continuar avaliando o que funcionou e o que não funcionou nos últimos anos, a fim de melhorar o modelo e alcançar um salto definitivo. 

E, para concluir, vou repetir as duas ideias principais do debate sobre modelos sindicais: a) é importante como os sindicatos nomeiam seus representantes dentro das empresas; e b) é importante saber onde concentramos o peso da nossa atuação sindical. 


Notas de Rodapé

1. Para conocer la historia de esos representantes revolucionarios Alejandro Andeasi Cieri (2019). “Delegados revolucionarios de empresa [Revolutionäre Obleute] y movimiento consejista en la Gran Guerra y en la Revolución alemana de 1918-1919”. UAB Nuestra Historia, vol. 8, 2019, pp. 67-90. https://www.aacademica.org/alejandro.andreassi.cieri/25.pdf

2. É direito dos trabalhadores formar sindicatos ou filiar-se a qualquer sindicato de sua escolha. Este direito está consagrado no Artigo 28 da Constituição Espanhola. Portanto, trata-se de um direito fundamental de acordo com o direito internacional. Este direito deriva dos Direitos Humanos. A primeira vez que este direito foi conquistado foi na Inglaterra, em 1824. Ou seja, o sindicalismo existiu primeiro, e os direitos civis e políticos básicos foram conquistados posteriormente, e nunca o contrário.

3. Carlos Molero Manglano. Los sindicatos más representativos. https://vlex.es/vid/sindicatos-representativos-205924505

4. Daniel Vallès Muiño (2020). “El Ministerio de Trabajo 1920-1923: Iniciativas normativas relevantes. Corporativismo, Casas Baratas e Inspección de Trabajo.” IUSLabor 2/2020 https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&opi=89978449&url=https://www.raco.cat/index.php/ IUSLabor/article/download/370078/466109/

5. O texto da lei pode ser lido aqui: https://www.boe.es/gazeta/dias/1931/11/28/pdfs/GMD-1931-332.pdf 

6. Atas do Congresso da CNT. Madrid, 1931 

7. Solidaridad Obrera, 17/11/1933, pág. 3

8. Glicerio Sánchez Recio. El sindicato vertical como instrumento político y económico franquista. Univeridad de Alicante.

9. CNT , fevereiro de 1983 

10. Ibid.

11. Outra resolução de interesse foi o pedido de controle sindical da Previdência Social, que nunca foi implementado .

Educação e revolução social


Participarei de uma conversa com a professora e pesquisadora do anarquismo, Luciana Brito, sobre a perspectiva de Mikhail Bakunin acerca da relação entre educação e revolução social. O encontro acontecerá no canal Anarquismo e Geografia, do @max_stirner_king, no dia 29 de março, às 19h.


Estudos sobre o periódico anarquista A Plebe: uma bibliografia comentada em ordem cronológica (1998-2024)

A Plebe, 9 de setembro de 1933, n 39. 

Apresentação

A pesquisa acadêmica sobre o jornal anarquista A Plebe passou por uma diversificação temática desde os anos 1990, ampliando o seu escopo e aprofundando sua análises conforme novos interesses foram incorporadas. Essa trajetória pode ser dividida em quatro momentos principais, correspondentes às décadas em que os estudos foram publicados. 

Nos anos 1990, a pesquisa sobre A Plebe era incipiente e concentrava-se exclusivamente na análise da imagem. O estudo realizado nesse período sugere interesse inicial pelos aspectos visuais do jornal.

Nos anos 2000, o escopo temático se expandiu, incorporando novos objetos de estudo. A educação tornou-se tema relevante, com três trabalhos tratando do tema, o que sugere um interesse pela relação entre o anarquismo e a pedagogia. Além disso, emergiram análises sobre arte, representação da revolução social, discurso e sexualidade. A década também marcou o início das investigações sobre o embate entre anarquistas e comunistas. 

Nos anos 2010, houve uma diversificação dos estudos, consolidando A Plebe como um objeto de pesquisa mais abrangente. A análise da imagem e da arte ganhou fôlego, com temas como ilustrações, caricaturas políticas e experiência visual, o que indica tanto um retorno de uma temática de estudo inaugurada nos anos 1990, como um aprofundamento na investigação da dimensão estética do periódico.

Paralelamente, cresceu o interesse pela representação e pelo imaginário, especialmente no que diz respeito à iconografia, à representação do feminino e ao imaginário dos militantes anarquistas. Além disso, a pesquisa sobre discurso e propaganda continuou avançando, sendo acompanhada por estudos sobre literatura e poesia no jornal.

A década também testemunhou um crescimento dos trabalhos sobre gênero e sexualidade, evidenciado por pesquisas sobre a emancipação feminina e a representação da mulher no periódico.

O tema dos conflitos políticos e ideológicos também foi reforçado, com novas análises sobre o fascismo, o antifascismo, o catolicismo e a interpretação anarquista da Revolução Russa. Por fim, houve um aumento nos estudos sobre o movimento operário e sindicalismo, incluindo pesquisas sobre o Primeiro de Maio, greves, ação direta, sindicalismo revolucionário e internacionalismo operário. 

Nos anos 2020, os estudos passaram a conectar A Plebe com a questão social, organização política anarquista e condições de vida da classe trabalhadora. Pela primeira vez, surgiu investigação sobre moradia e transporte. Além disso, a análise do sindicalismo revolucionário e da consciência de classe indicou um esforço para relacionar o discurso do jornal com as dinâmicas de organização e mobilização política dos trabalhadores. 

A trajetória dos estudos sobre A Plebe revela, portanto, uma evolução que vai da análise de aspectos mais formais e discursivos para um olhar mais amplo sobre a atuação do jornal no movimento operário e suas implicações para a compreensão da questão social. Se nos anos 1990 o interesse acadêmico se limitava à imagem, nas décadas seguintes a pesquisa expandiu-se para temas como educação, discurso, gênero, conflito político e sindicalismo, chegando, nos anos 2020, com a questão social.

Bibliografia em ordem cronológica

Anos 1990

CAMARGO, Dayse de. O teatro do medo: a encenação de um pesadelo nas imagens do periódico anarquista A Plebe (1917-1951). 1998. Dissertação (Mestrado em História) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1998. 

Anos 2000

GONÇALVES, Ody Furtado. Trajetória e ação educativa do jornal A Plebe (1917-1927). Quaestio – Revista de Estudos em Educação, v. 6, n. 2, 2004. 

FIGUEIRA, Cristina Aparecida Reis. O jornal, o cinema, o teatro e a música como dispositivos da propaganda social anarquista: um estudo sobre as colunas “Espetacullos” e “Palcos, Telas e Arenas” nos jornais A Lanterna e A Plebe (1901-1921). In: Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação, 2006. p. 32-48. 

GONÇALVES, A. M. ; NASCIMENTO, M. I. M. . Anarquismo, trabalho e educação nas folhas do jornal " A Plebe". In: VII Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas, 2006, Campinas. VII Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas. Campinas: faculdade de Educação da Unicamp. v. 01. p. 50-51.

MARTINS, Angela Maria Roberti. Palavras e imagens que fazem sonhar: imprensa libertária e representações da revolução social (A Plebe – 1919). Maracanan, v. 3, n. 3, p. 57-72, 2007. 

GONÇALVES, Aracely Mehl (2007). Francisco Ferrer y Guardia: Educação e a imprensa anarcosindicalista – “A Plebe” (1917- 1919). Dissertação (Mestrado em Educação) -Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa.

RIBAS, Ana Claudia. As sexualidades d'A Plebe: um breve olhar sobre os discursos e os debates sobre sexualidade no jornal anarquista A Plebe. Revista Ártemis, v. 8, 2008. 

GONÇALVES, Aracely Mehl; NASCIMENTO, Maria Isabel Moura. A educação nas folhas do jornal “a plebe”: 1917-1919. Publicatio UEPG: Ciências Sociais Aplicadas, v. 16, n. 2, 2008.

VENANCIO, Rafael Duarte Oliveira. Ethos e Revolução: legitimação retórica dos jornais alternativos. Revista Alterjor, v. 1, p. 1-18, 2009.

PEIXOTO, Maitê. O quarto poder vermelho: embates teóricos e político-ideológicos entre anarquistas e comunistas nos jornais A Plebe e Voz Cosmopolita (1917-1927). In: Simpósio Nacional de História, 25., 2009, Fortaleza. Anais... Fortaleza: ANPUH, 2009. 

Anos 2010

MACIEL, Camila Queiroz. Mulher libertária é a mulher libertada: um projeto de emancipação feminina anarquista no jornal A Plebe (1917-1927). 2010. 159f. TCC (Graduação em Comunicação Social) - Universidade Federal do Ceará, Curso de Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, Fortaleza (CE), 2010.

PEIXOTO, Maitê. O quarto poder vermelho: embates teóricos e político-ideológicos entre anarquistas e comunistas (1917-1927). Oficina do Historiador, v. 1, n. 1, p. 41-50, 2010.

GARZIA, R. F. . Pela Desordem: Imagens e Imaginário da Revolução Social entre o Círculo Militante do Jornal A Plebe (1917-1922). In: V Congresso Internacional de História, 2011, Maringá-PR. Anais do V Congresso Internacional de História, 2011. p. 53-63.

GARZIA, R. F. . Imagens e imaginário anarquista a partir do jornal A Plebe (1917-1920). In: Colóquio de História e Arte: "História e Arte: encontros", 2011, Recife-PE. Anais do Colóquio de História e Arte, 2011. p. 302-307.

GARZIA, R. F. Imaginário Gravado: o imaginário anarquista a partir das gravuras do A Plebe (1917-1920). In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 26., 2011, São Paulo. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História, 2011.

RIBAS, Ana Claudia. CORPO, LIBERDADE E ANARQUISMO: Perspectivas libertárias nas páginas do jornal A Plebe durante a primeira metade do século XX. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História–ANPUH, São Paulo, 2011.

CAMARGO, Daisy. Bestiário da autoridade: representação iconográfica do periódico anarquista A Plebe. Domínios da Imagem, v. 7, n. 12, p. 71-81, 2013. 

CASADEI, Eliza Bachega. A função revolucionária da mulher: representações do feminino nos jornais operários e anarquistas do início do século XX. Revista Alterjor, v. 7, n. 1, p. 1-13, 2013.

DA FONSECA, João Gabriel. A insurgência da ação direta na imprensa operária da Primeira República em A Plebe. Revista Três Pontos, 2013. 

GARZIA, Ricardo Ferrini. Traçando a anarquia: o imaginário dos militantes do Jornal A Plebe e as suas ilustrações (1917-1924). 2013. 200 f. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.

PEIXOTO, Maitê. A partilha da experiência visual vivenciada nas páginas do jornal A Plebe. Revista Latino-Americana de História, v. 2, n. 7, p. 309-326, 2013. 

SANTOS, Kauan Willian dos. O jornal A Plebe: militância e estratégias de propaganda anarquista no movimento operário em São Paulo (1917 a 1920). Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado e Licenciatura em História) – Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Guarulhos, 2013.

SILVA, Zélia Lopes. A caricatura política na concepção libertária do periódico A Plebe (1947-1949). Antíteses, p. 261-287, 2013. 

DA FONSECA MATEUS, João Gabriel. Arte e anarquismo no periódico A Plebe (1917). REVHIST – Revista de História da UEG, v. 3, n. 1, p. 163-182, 2014. 

DE CAMARGO, Daisy. O teatro do medo: a encenação de um pesadelo nas imagens do periódico anarquista A Plebe (1917-1951). Paco Editorial, 2014. 

RIBAS, Ana Claudia. A questão feminina nas páginas libertárias: propaganda e emancipação feminina nas páginas do jornal anarquista A Plebe (1917-1935). Anais do XV Encontro Estadual de História, v. 11, 2014. 

FERREIRA, Denise Cristina. O jornal A Plebe: uma análise do pensamento educacional dos anarquistas no Brasil (1917-1935). In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CONEDU), 2., 2015, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: Realize Editora, 2015.

RIBAS, Ana Claudia et al. As sexualidades d'A Plebe: sexualidade, amor e moral nos discursos anarquistas do jornal A Plebe (1917-1951). 2015. 

RIBAS, Ana Claudia. As sexualidades d’A Plebe: um breve olhar sobre os discursos e os debates sobre sexualidade no jornal anarquista A Plebe (1917-1951). 2015. 290 f. Tese (Doutorado em Interdisciplinar em Ciências Humanas) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

RODRIGUES, André. O Primeiro de Maio nos jornais anarquistas A Plebe e A Lanterna (1932-1935). Vozes, Pretérito & Devir: Revista de História da UESPI, v. 4, n. 1, p. 95-109, 2015.

RODRIGUES, André. A identidade entre movimentos fascistas e Igreja Católica nos jornais anarquistas A Plebe e A Lanterna (1932 - 1935). Boletim Historiar, v. 11, p. 37-50, 2015.

RODRIGUES, André. As relações entre os movimentos fascistas e a Igreja Católica nas páginas dos jornais anarquistas A Plebe e A Lanterna (1932-1935). In: CONGRESSO DE HISTÓRIA, 5., 2015, Ivaiporã. Anais [...]. Ivaiporã: UEM, 2015.

RODRIGUES, André. O jornal A Plebe e a luta anarquista contra o Ministério do Trabalho (1932-1935). In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA, 7., 2015, Maringá. Anais [...]. Maringá: [s.n.], 2015. p. 98.

SANTOS, Kauan Willian dos. Derrubando fronteiras: a construção do jornal A Plebe e o internacionalismo operário em São Paulo (1917-1920). História e Cultura, Franca, v. 4, n. 1, p. 122-139, 2015.

SANTOS, Kauan Willian dos. Paz entre nós, guerra aos senhores: o internacionalismo anarquista e as articularições políticas e sindicais nos grupos e periódicos anarquistas guerra social e a plebe na segunda década do século XX em São Paulo. 2016. 179 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Guarulhos, 2016.

DE SOUZA DIANNA, Eduardo Matheus. O movimento operário na Primeira República, debates, considerações e contribuições. Revista Eletrônica História em Reflexão, v. 10, n. 20, p. 16-37, 2016.

DE SÁ BENEVIDES, Bruno Corrêa. O antifascismo na imprensa anarquista durante a Primeira República – A Plebe e Alba Rossa (c. 1919-c. 1922). Revista Aedos, v. 8, n. 19, p. 277-296, 2016.  

DE SÁ BENEVIDES, Bruno Corrêa. O antifascismo na imprensa anarquista durante a Primeira República – A Plebe e Alba Rossa (c. 1919-c. 1922). Revista Aedos, v. 8, n. 19, p. 277-296, 2016. 

MACHADO, Liliane Maria Macedo; STRONGREN, Fernando Figueiredo. O agendamento da greve nas páginas de A Plebe. Revista Comunicação Midiática, v. 11, n. 1, p. 77-92, 2016. 

DE BRITO, Rose Dayanne Santos. “O pobre não é vadio”: uma crítica ao discurso elitista acerca do trabalho na Primeira República. História e Cultura, v. 6, n. 2, p. 144-160, 2017.

RODRIGUES, André. Sob o estandarte rubro-negro : anarquismo e antifascismo nos jornais A Plebe e A Lanterna (1932-1935). 2017. 116 f. Dissertação (mestrado em História) - Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2017.

RODRIGUES, André. Bandeiras negras contra camisas verdes: anarquismo e antifascismo nos jornais A Plebe e A Lanterna (1932-1935). Tempos Históricos, v. 21, n. 2, p. 74-106, 2017. 

JÚNIOR, Demetrio Quiros Bello. “Dentro da nossa esplêndida chimera, encerramos o mundo d’amanhã”: literatos e poesia libertária nas páginas de A Plebe. Revista Hydra: Revista Discente de História da UNIFESP, v. 2, n. 3, p. 33-57, 2017. 

STRONGREN, Fernando Figueiredo. Imprimindo a anarquia: o jornalismo anarquista no Brasil nas primeiras décadas do século XX. 2017. 192 f., il. Dissertação (Mestrado em Comunicação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

GONÇALVES FELIPE, Cláudia Tolentino. A áurea revolucionária no discurso anarquista brasileiro (1917-1922). Cadernos de Pesquisa do CDHIS, v. 31, n. 2, 2018. 

KIST, André Urban. Discurso revolucionário na greve geral de São Paulo em 1917. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Escola de Humanidades, 2018.

SANTOS, Kauan Willian dos ; FERNANDES, André Santoro. A bandeira vermelha e negra: posições políticas e estratégias anarquistas frente à Revolução Russa no Brasil. Revista Latino-Americana de História-UNISINOS, v. 7, n. 19, p. 63-85, 2018.

STRONGREN, Fernando Figueiredo; MACHADO, Liliane Maria Macedo. Informar para mobilizar: o caso do jornal anarquista A Plebe. Revista Extraprensa, v. 12, n. 1, p. 27-49, 2018. 

PIOVEZANI, Carlos. A oratória popular na imprensa anarquista brasileira: um estudo de caso do jornal A Plebe. Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 61, p. 1-19, 2019.

GRIGOLIN, Fernanda. Expressão, registro e propaganda: o anarquismo impresso em A Plebe. Anais do 30º Simpósio Nacional de História, 2019. 

Anos 2020

Barbosa, Joyce Martins. Os escritos femininos no jornal A Plebe em 1917. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em História) - Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2020.

FERREIRA, Denise Cristina; LIVÉRIO, Andressa Oliveira. Educação anarquista: o Brasil em inícios do século XX pelo jornal A Plebe. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CONEDU), 7., 2021, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: Realize Editora, 2021.

RIBEIRO, Vitória. “O que urge fazer?": Sobre moradia e transporte nas páginas d'O Combate e d'A Plebe durante a greve de 1917. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em História). – Guarulhos: Universidade Federal de São Paulo, 2021.

FERREIRA, Matheus Barrientos. O jornal A Plebe e a luta pela construção de uma consciência anarquista de classe (1917-1924). 2023. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2023. 

SANTOS, Kauan Willian dos. "Reunindo numerosos camaradas”: organizações políticas anarquistas e libertárias no período da Primeira República no Brasil. Revista Estudos Libertários, v. 5, n. 13, 2023. 

ALVARENGA, Maria Eduarda de; GOMES, Marco Antonio de Oliveira; MAIO, Eliane Rose. Gênero e imprensa: a emancipação das mulheres no início do século XX e o jornal A Plebe (1919-1934). Cadernos de História da Educação, v. 23, p. 1-17, 2024. 

FERRARI, João Paulo Rocha. A influência do sindicalismo revolucionário na institucionalização da questão social: rebatimentos na gênese do serviço social no Brasil. 2024. 143 f. Dissertação (Mestrado em Serviço Social e Políticas Sociais) – Instituto de Saúde e Sociedade, Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2024.

Raphael Cruz

Fontes:

https://bdtd.ibict.br

https://www.escavador.com

https://scholar.google.com.br

https://repositorio.unb.br

https://oasisbr.ibict.br

https://www.periodicos.capes.gov.br

https://repositorio.unifesp.br

https://repositorio.ufc.br

https://tede2.pucsp.br

Sindicalismo revolucionário e ecologia: uma bibliografia em construção (1989-2025)


Judi Bari (1949-1997),
pioneira da articulação prática entre ecologismo
e sindicalismo revolucionário


Esta bibliografia está em ordem cronológica.

Anos 1980

Jon Bekken, Anarcho-syndicalism and the environmental movement, Libertarian labor Review, Issue 6, Winter 1989, pp.15–16.

Anos 1990

KAUFMANN, Mark; DITZ, Jeff. Green syndicalism. Libertarian Labor Review, Chicago, n. 13, p. 41-42, verão 1992.

PURCHASE, Graham. Anarchism & Environmental Survival. Tucson, AZ: See Sharp Press, 1994.

BARI, Judi. Revolutionary ecology. 1995. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/judi-bari-revolutionary-ecology. Acesso em: 8 mar. 2025.

SHANTZ, Jeffrey A. Green Syndicalism: Towards a Radical Articulation of Ecology and Labour. PhD diss., University of Windsor, 1995.

PURCHASE, Graham. Social ecology, anarchism and trades unionism. In: ___. Deep ecology and anarchism: a polemic. London: Freedom Press, 1997. p. 23-35.

PURCHASE, Graham. Anarchism and Ecology. Montreal: Black Rose Books, 1997.

PURCHASE, Graham. Ecology, Capitalism and the State. Sydney: Jura Media, 1998.

SHANTZ, Jeffrey A.; ADAM, Barry D. Ecology and class: The green syndicalism of IWW/Earth First Local 1. International Journal of Sociology and Social Policy, v. 19, n. 7/8, p. 43-72, 1999.

SHANTZ, Jeffrey. Searching for peace in the "timber wars": a report on nonviolence and coalition building during the redwood summer. Peace Research, v. 31, n. 3, p. 1-12, 1999.

Anos 2000

SHANTZ, Jeff. Workers' control: ecology enters the machine. Social Anarchism, n. 31, p. 45, 2001.

SHANTZ, Jeff. Green Syndicalism: An Alternative Red-Green Vision. Environmental Politics 11 (4): 21-41, 2002.

SHANTZ, Jeffrey. Judi Bari and "The Feminization of Earth First!": The Convergence of Class, Gender and Radical Environmental. Feminist Review, v. 70, n. 1, p. 105-122, 2002.

SHANTZ, Jeffrey. Solidarity in the woods: redwood summer and alliances among radical ecology and timber workers. Environments, v. 30, n. 3, p. 79, 2002.

SHANTZ, Jeffrey. Scarcity and the emergence of fundamentalist ecology. Critique of Anthropology, v. 23, n. 2, p. 144-154, 2003.

SHANTZ, Jeff. Radical ecology and class struggle: a re-consideration. Critical Sociology, v. 30, n. 3, p. 691-710, 2004.

SHANTZ, Jeff. Syndicalism, ecology and feminism: Judi Bari’s vision. Common Voice, v. 3, 2005.

SHANTZ, J. The talking nature blues: radical ecology, discursive violence and the constitution of counter-hegemonic politics. Atenea: A Bilingual Journal of the Humanities and Social Sciences, v. 16, n. 1, p. 39-58, 2006.

JAKOPOVICH, Dan. Green unionism in theory and practice. Synthesis/Regeneration, n. 38, primavera 2007.

CONFEDERACIÓN GENERAL DEL TRABAJO (CGT). Curso de formación: ecologismo social y anarcosindicalismo. Madrid, 8 y 9 de febrero de 2008. CGT – Secretaría de Formación; Ecologistas en Acción, 2008.

SHANTZ, Jeff. Environmentality: technologies of government and the making of subjects. Electronic Green Journal, n. 26, p. 2, 2008.

WILLIAMS, Dana M. Red vs. green: regional variation of anarchist ideology in the United States. Journal of Political Ideologies, v. 14, n. 2, p. 189-210, 2009.

Anos 2010

SETHNESS CASTRO, Javier. Green Syndicalism vs. Anti-Civ: Social Revolution or Primitivist Reaction? A Polemic. Apresentação no Boston Anarchist Bookfair, 11 nov. 2013. Disponível em: https://ecology.iww.org/node/283. Acesso em: 8 mar. 2025.

SHANTZ, Jeff. On sabotage and pipelines: a green syndicalist commentary. 2015. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/jeff-shantz-on-sabotage-and-pipelines-a-green-syndicalist-commentary. Acesso em: 8 mar. 2025.

DE SOUZA, Luiz Enrique Vieira. O que é "sindicalismo verde"? Reconfigurações da "luta de classes" sob a crise ecológica do capitalismo. Plural, v. 23, n. 1, p. 128-134, 2016.

HEROD, James. Defeating capital to save the planet. Anarcho-Syndicalist Review, n. 69, 31 jan. 2017. Disponível em: https://syndicalist.us/2017/01/31/defeating-capital-to-save-the-planet/. Acesso em: 10 mar. 2025.

WETZEL, Tom. A green new deal. 2019. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/tom-wetzel-a-green-new-deal. Acesso em: 8 mar. 2025.

SHANTZ, Jeff. The Green New Deal and Indigenous labor-environmental alliances in Washington State. 2019. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/jeff-shantz-the-green-new-deal-and-indigenous-labor-environmental-alliances-in-washington-state. Acesso em: 8 mar. 2025.

Anos 2020

ANARCHO-SYNDICALIST REVIEW. Building a sustainable economy before capitalism kills us all. Anarcho-Syndicalist Review, n. 75, 16 jan. 2020. Disponível em: https://syndicalist.us/2020/01/16/building-a-sustainable-economy-before-capitalism-kills-us-all/. Acesso em: 10 mar. 2025.

BANGLADESH ANARCHO-SYNDICALIST FEDERATION. Global warming: get rid of capitalism! ASR, n. 78, inverno 2020.

BEKKEN, Jon. Labor & the climate crisis. Anarcho-Syndicalist Review, n. 78, inverno 2020.

WETZEL, Tom. Murray Bookchin’s legacy: a syndicalist critique. 2021. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/tom-wetzel-murray-bookchin-s-legacy. Acesso em: 8 mar. 2025.

SHANTZ, Jeff. Green syndicalism in the Arctic. 2021. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/jeff-shantz-green-syndicalism-in-the-arctic. Acesso em: 8 mar. 2025.

SHANTZ, Jeff. Green syndicalism: a very brief introduction. 2022. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/jeff-shantz-green-syndicalism-a-very-brief-introduction. Acesso em: 8 mar. 2025.

WETZEL, Tom. Climate change as class war. 2022. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/tom-wetzel-climate-change-as-class-war. Acesso em: 8 mar. 2025.

FERRERO, Genís. Un programa de clase ante el colapso. El Salto Diario, 11 set. 2023. Disponível em: https://www.elsaltodiario.com/politica/programa-clase-social-colapso-capitalista. Acesso em: 10 mar. 2025.

SHANTZ, Jeff. Canadian labor and green transition: bargaining for a green syndicalist view. 2023. Disponível em: https://libcom.org/article/canadian-labor-and-green-transition-bargaining-green-syndicalist-view-jeff-shantz. Acesso em: 8 mar. 2025.

SHANTZ, Jeff. Profits of Doom: Green Syndicalism and Tar Sands Worker Deaths. Anarcho-Syndicalist Review, 19 jun. 2023. Disponível em: https://syndicalist.us/2023/06/19/profits-of-doom/. Acesso em: 8 mar. 2025.

WETZEL, Tom. What is green syndicalism? 2023. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/tom-wetzel-what-is-green-syndicalism. Acesso em: 8 mar. 2025.

WETZEL, Tom. The future is degrowth: a review. 2023. Disponível em: https://znetwork.org/znetarticle/the-future-is-degrowth-a-review/. Acesso em: 8 mar. 2025.

WETZEL, Tom. The working-class stake in the fight against global warming. 2023. Disponível em: https://znetwork.org/znetarticle/the-working-class-stake-in-the-fight-against-global-warming/. Acesso em: 8 mar. 2025.

CARRETERO MIRAMAR, José Luis. Confluencia o barbarie: Clase trabajadora y lucha ecológica. Rojo y Negro, n. 395, dez. 2024. Disponível em: https://rojoynegro.info/publicacion/rojo-y-negro-no-395-diciembre-2024/. Acesso em: 10 mar. 2025.

WETZEL, Tom. Review of Common Preservation. 2024. Disponível em: https://znetwork.org/znetarticle/review-of-common-preservation/. Acesso em: 8 mar. 2025.

WETZEL, Tom. The challenge and reality of the green energy transition: a reply to Peter Gelderloos. 2024. Disponível em: https://znetwork.org/znetarticle/the-challenge-and-reality-of-the-green-energy-transition-a-reply-to-peter-gelderloos/. Acesso em: 8 mar. 2025.

WETZEL, Tom. Green transition: from above or from below? 2025. Disponível em: https://znetwork.org/znetarticle/green-transition-from-above-or-from-below/. Acesso em: 8 mar. 2025.

Greve Geral de 1917: um movimento por segurança e soberania alimentar?



Um aspecto frequentemente negligenciado ao relembrar a Greve Geral de 1917 é que esse movimento também reivindicou melhores condições de alimentação para a classe trabalhadora.

O Comitê de Defesa Proletária (CDP), após consultar ligas, corporações e associações, elaborou dois conjuntos de reivindicações: um relacionado à organização do trabalho e à liberdade sindical, voltado diretamente aos operários, e outro, denominado "medidas de caráter geral", direcionado à população como um todo.

A alimentação figurava entre os itens que o CDP classificou como "gêneros de primeira necessidade", junto à moradia. Entre as demandas, destacavam-se o barateamento e a fiscalização dos preços desses itens essenciais, antecipando que um aumento salarial sem tais medidas poderia provocar a alta dos preços dos alimentos, anulando os ganhos reais da classe trabalhadora.

A primeira medida do conjunto de reivindicações de "caráter geral" visava assegurar um aumento efetivo do poder de compra, evitando que os salários reajustados pela greve fossem corroídos pela inflação. Tal medida beneficiaria amplamente a população trabalhadora.

Caso as ações de fiscalização se mostrassem insuficientes para conter os aumentos abusivos de preços, o CDP propunha uma segunda medida de regulação estatal: "a requisição de todos os gêneros indispensáveis à alimentação pública, subtraindo-os assim do domínio da especulação". Essa proposta representava uma demanda por intervenção estatal direta no mercado de alimentos, buscando proteger os trabalhadores dos impactos da especulação em um contexto de ofensiva proletária.

A terceira medida de caráter geral exigia o fim da adulteração e falsificação de alimentos, práticas comuns na indústria alimentícia durante a Primeira Guerra Mundial. Essa reivindicação defendia a qualidade dos alimentos consumidos pela classe trabalhadora e, consequentemente, a saúde pública.

As três propostas relacionadas às "medidas de caráter geral" elaboradas pelo Comitê de Defesa Proletária anteciparam debates cruciais sobre segurança e soberania alimentar, além do controle social da produção agrícola. Esses temas continuam pertinentes e de grande relevância nos dias atuais.

Raphael Cruz


Imagem: Fonte

Sindicalismo revolucionário e ficção científica social


Émile Pouget (1860-1931)


Como fizemos a revolução é um livro de Emile Pouget e Emile Pataud, de 1909.

Nele, os autores descrevem uma greve geral exitosa que pôs fim ao capitalismo e o Estado, criando uma nova sociedade.

Nesse mundo novo, os sindicatos passaram de associações de luta para grupos de produção.

Mulheres e camponeses conquistaram liberdade. Antigos patrões tiveram de pôr a mão na massa ao perder seus privilégios de classe.

A humanidade se libertou do trabalho doméstico pela industrialização desse serviço.

Junto ao livro do russo Chayanov, Viagem de meu irmão Alexei ao país da utopia camponesa (1920), a obra de Pouget e Pataud revela como o potencial político da ficção especulativa não passou desapercebido pelos criativos pensadores socialistas do século XX.



O livro foi noticiado no Brasil  como uma espécie de glorificação da guerra, no jornal A Imprensa, em 10 de dezembro de 1909. O título da notícia foi "Os antimilitaristas fazendo a guerra".

Raphael Cruz

Observação: o livro está disponível aqui e aqui.

Leitura 13: A herança proudhoniana de Émile Pouget



Relendo Pouget, notei que sua concepção de "ação direta", como autoconsciência, autoatividade e autodeterminação do proletariado, em seu livro de 1904, é fundamentada na ideia de "capacidade política real" proposta por Proudhon em "Da capacidade política das classes operárias" (1865). Pouget praticamente atualizou a noção de capacidade política real ou "classe para si" de Proudhon para o contexto político francês do início do século XX.

Raphael Cruz

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