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Socialismo ou apocalipse

Já assistiu aos filmes sobre um possível futuro apocalíptico? 

Aquelas cenas de pessoas com roupas esfarrapadas vivendo em meio a sucatas, construindo barracos com restos de metal, fervendo água suja em fogueiras improvisadas e caçando ratos para o jantar?

Esse futuro existe aqui e agora em lixões e aterros sanitários alocados estrategicamente em zonas pobres da cidade.

Esse futuro está distante apenas para o sujeito bem alimentado dos bairros nobres.

É necessário apenas observar a situação de determinados segmentos da população para ter a imagem de que já vivem nesse futuro apocalíptico.

As consequências negativas da modernidade capitalista não chegaram de maneira uniforme para as distintas classes sociais, mas de forma desigual e combinada com as suas “consequências positivas”.

Uma minoria economicamente abastada e politicamente dominante experimenta as “consequências positivas” da modernidade como o acesso ao conhecimento e as facilidades de locomoção no espaço-tempo. 

No meio do caminho, a maioria vive entre a possibilidade de aquisição de tablets e a realidade da precarização dos serviços urbanos.

E, no fim do caminho, “onde judas perdeu as botas”, uma parte da população apenas possui a água suja para beber e os farrapos para vestir. 

Do ponto de vista da “qualidade de vida”, estes estão mais próximos da experiência do fim do mundo do que o sujeito rico e bem alimentado que conhece o apocalipse apenas na forma alegórica oferecida por Hollywood.

Os segmentos subalternos mais intensamente oprimidos e explorados nas grandes cidades, que travam uma encarniçada luta pela vida sem o mínimo de cobertura social, podem ser vistos como a imagem do futuro.

Contudo, ainda há tempo, desde que se processe outra forma de sociabilidade diametralmente oposta as lógicas política, econômica e cultural do sistema-mundo capitalista. 

A formulação “socialismo ou barbárie” já não sensibiliza um imaginário social fortemente educado por filmes de Hollywood.

Atualmente, a palavra de ordem deve ser outra.

Como disse um amigo, é socialismo ou apocalipse!


Raphael Cruz

Risco

Interessante perceber como um telejornal se relaciona com o seu patrocinador (o anunciante que exibe seu comercial no intervalo do jornal). 

Por exemplo, hoje, assistindo à Globo News, passou, durante o intervalo, o comercial da Bradesco Seguros. 

Nele, um sujeito andava entre os andaimes de um prédio em construção enquanto o narrador falava ser melhor se precaver e fazer um seguro do que remediar. 

O comercial relatava riscos comuns, como uma churrasqueira que pode lhe queimar, um infarto durante o sono, uma queda que pode quebrar sua perna. 

Assim que o telejornal volta, o bloco de notícias trata da morte de uma idosa e do óbito de uma criança, que supostamente caiu da janela de um prédio residencial.

Queria ter inocência o suficiente para pensar que o patrocinador do telejornal não influenciou essa sequência de notícias. 

A ideia de risco, relatada tanto no comercial como nas notícias que a seguiram, sugeria que da criança à idosa, todos estão expostos ao risco e o melhor é providenciar seu Seguro Bradesco. 

Fica então uma pergunta, até que ponto quem paga a banda não escolhe a notícia?

Raphael Cruz

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