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Proudhon em obituários, parte II

Na edição de 5 de fevereiro de 1865, do New York Times, é publicado o obituário de Pierre Joseph-Proudhon. A tradução para o português está abaixo. E o texto original na sequência. Contudo, faço uma observação. No obituário, a data do nascimento do pensador francês está como 15 de julho de 1809. Na biografia de Proudhon, escrita por George Woodcock (1987), a data mencionada é 15 de fevereiro do mesmo ano. E na Wikipedia sobre Proudhon em francês, está a data de 15 de janeiro de 1809.

Raphael Cruz

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Recebemos pela inteligência da África a morte do célebre escritor francês, PIERRE JOSEPH PROUDHON, que esteve por algum tempo gravemente doente. PROUDHON nasceu em Besançon, em 15 de julho de 1809, e após receber uma educação parcial no colégio de sua cidade natal, foi aprendiz de uma gráfica, da qual posteriormente se tornou sócio. Em 1840, a Academia de Besançon concedeu-lhe um prêmio de 1.500 francos por um ensaio sobre gramática geral. Isto permitiu-lhe visitar Paris, onde iniciou a sua carreira literária. Uma obra sua sobre propriedade, que começava com a surpreendente frase "a propriedade é roubo", chamou a atenção para ele, seguida por outras do mesmo caráter e tendência.

Durante a revolução de 1848 editou, por um curto período, um jornal diário em Paris, dedicado aos princípios revolucionários e à reforma social. Ele foi eleito membro da Assembleia Constituinte, órgão que denunciou seus princípios como contrários à moralidade pública e calculado para incitar as piores pressões do povo. Em 1849, ele foi condenado a três anos de prisão por publicações ilegais. Desde então, ele escreveu inúmeros trabalhos defendendo suas peculiares teorias sociais. Muitos de seus escritos posteriores, especialmente seu panfleto contra a unidade italiana, ofenderam muito o partido liberal na Europa.

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Referências

"Obituary.; Pierre Joseph Proudhon". The New York Times, 5 de fevereiro de 1865, página 03. Consulta em: 17 de janeiro de 2023. Disponível em: https://www.nytimes.com/1865/02/05/archives/obituary-pierre-joseph-proudhon.html.

"Pierre-Joseph Proudhon." Wikipédia, l'encyclopédie libre. 14 déc. 2022, 17:01 UTC. 14 déc. 2022, 17:01 <http://fr.wikipedia.org/w/index.php?title=Pierre-Joseph_Proudhon&oldid=199492810>.

WOODCOCK, George. Pierre-Joseph Proudhon: a biography. Montreal/Cheetowaga: Black Rose Press, 1987.

Proudhon em obtuários

Em 19 de janeiro de 1865, falecia Pierre-Joseph Proudhon, em Paris. Em 19 de fevereiro do mesmo ano, o Diário do Rio de Janeiro publica uma crônica, de autor desconhecido, sobre o funeral do eminente filósofo e rebelde francês.


Destaco cinco fatos interessantes desse evento:

1) Proudhon é descrito como "celebre philosopho e economista", atestando sua fama à época, e que a publicação de crônica sobre seu funeral em um jornal brasileiro apenas reforça. Outras classificações sociais são: "escriptor eminente" e "homem de bem".

2) O cronista diz que Proudhon morreu paupérrimo, sem deixar dinheiro para o próprio enterro. O que indica a sua condição de classe, socialmente distante da fábula marxiana sobre o rebelde ser um pequeno-burguês. O texto ainda atesta que o "partido democrata tomou a si sustentar a viuva e educar os filhos do illustre e pobre escriptor".

3) Houve considerável multidão durante o enterro, composta, inclusive, por "numerosas deputações de estudantes", em Passy, Paris. E, segundo o texto, também por aqueles a quem Proudhon criticou em seus escritos. Entre os "nataveis", estava o futuro etnógrafo e anarquista francês Élie Reclus, na casa dos 38 anos, irmão mais velho do célebre geógrafo libertário Élisee Reclus.

4) O cortejo foi interrompido duas vezes por bandas marciais que, por acaso, estavam de passagem pela rua Passy. Contudo, os coronéis que guiavam os seus regimentos fizeram calar a música e saudaram o "cadaver com a espada". Após uma hora de cortejo, o corpo de Proudhon chega ao cemitério.

5) O cronista diz que Proudhon se manteve lúcido nos seus últimos dias de vida e recusou receber o padre para sua absolvição, tendo declarado a senhora Proudhon que "é a vós a quem peço a absolvição". 

Raphael Cruz


Referência

Diario do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1865, p. 01. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/19624

Réquiem para David Graeber



A antropologia, o pensamento crítico e o ativismo anti-capitalista perderam um de seus autores mais criativos e prolíficos.

David Graeber (1961-2020) é descrito por sua esposa como um melhor amigo e por seus alunos como paciente, engraçado e acolhedor.

O antropólogo norte-americano nasceu em NY e doutorou-se pela Universidade de Chicago com tese sobre memória e violência na Madagáscar rural, cujo orientador foi Marshall Sahlins.

Lecionou em Yale, Goldsmith e atualmente se encontrava no Departamento de Antropologia da London School of Economics.

Graeber era ativo politicamente, tendo se engajado no sindicalismo revolucionário da Industrial Workers of the World, no movimento antiglobalização e foi uma das lideranças do Occupy, sendo o criador do lema "somos os 99%".

Autor de uma vasta obra, teve publicado no Brasil "Dívida: os primeiros 5000 anos", "Um projeto de democracia" e "Fragmentos de uma antropologia anarquista", além de ceder entrevista a jornais e a TV brasileira.

Graeber faleceu em Veneza, na Itália, aos 59 anos, e deixou um legado importante para a antropologia e o ativismo anti-capitalista. 


Raphael Cruz

Publicado originalmente em @caderno_de_sociologia (Instagram)

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