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Leituras de janeiro de 2026

1. Monstro do Pântano, Livro I, Alan Moore.

2. Quem matou meu pai, Édouard Louis.

3. Monstro do Pântano, Alan Moore, Livro II.

4. Wolverine, n° 4, O chamado do adamantino, Saladin Ahmed.

5. Wolverine, n° 5, Linhagem, Saladin Ahmed.

6. Hell eternal, Jaime Delano.

7. Ultimate X-Men, vol. 1, O temor e o ódio, Peach Momoko.

8. Irmãos, Neil Gaiman (Swamp Thing Annual, n° 5, 1989).

Livros adquiridos em 2023 (Parte I)

 

Livros adquiridos em 2023

Entre fevereiro e abril, adquiri seis novos livros e ganhei um de presente. Segue a relação deles e um breve comentário sobre cada um dos livros.

1. GROPPO, Luís Antonio. Introdução à sociologia da juventude. Jundiaí: Paco Editorial, 2017. 164 p. 

Este primeiro livro foi adquirido para estudar para um concurso público. 

2. PROUDHON, Pierre-Joseph. Da capacidade política das classes trabalhadoras. Tomo I. Tradução Edivaldo Pereira da Silva. Revisão técnica Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Intermezzo, 2019. 208 p.

Este era algo de desejo meu há bastante tempo e servirá para continuar os meus estudos sobre o autor, além de ser um clássico da tradição anarquista e sindicalista revolucionária.

3. PEARLMAN, Freddy. A reprodução da vida cotidiana. Coleção Textos Exemplares 1. Tradução e revisão Ferreira da Silva. Porto: José M. C. Sousa Ribeiro, 1973. 48 p.

O terceiro foi uma compra quase que por fetiche literário. Li esse livro em sua versão online, nos anos 2000, na saudosa Biblioteca Virtual Revolucionária, e realmente desejava tê-lo impresso. Pearlman realiza uma explicação didática da teoria da reprodução social e da alienação a partir de uma perspectiva marxista.

4. NOGUEIRA, Oracy. Pesquisa social: introdução às suas técnicas. Coleção Biblioteca Universitária, Série 2ª (Ciências Sociais), Vol. 26. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1964. 212 p.

Esse é um manual de pesquisa escrito por um experiente sociólogo paulista. O seu conteúdo foi publicado de maneira seriada no jornal Correio Paulistano entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1950. O meu primeiro contato com este livro foi pela leitura no referido jornal, acessível por meio do site da Biblioteca Nacional.

5. DE MARCOS, Valeria; FABRINI, João Edmilson. Coleção Geografia em Movimento. São Paulo: UNESP; Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2010. 152 p.

Na década de 2010, travei contato com este livro, tendo impresso o capítulo no qual é abordada as perspectivas coletivistas e comunistas da tradição anarquista. O adquiri como referência para o meu projeto sobre a relação entre anarquismo e questão agrária. O livro traz um bom apanhado das experiências de coletivização da produção camponesa. Contudo, a parte sobre a ampla tradição anarquista é a que ocupa menos lugar no livro. Senti falta de um maior desenvolvimento sobre a perspectiva de Bakunin sobre o campesinato e a coletivização da terra, assim como uma análise mais aprofundada das experiências de coletivização durante a Guerra Civil Espanhola. No mais, vale como um compêndio das experiências de coletivização, principalmente aquelas orientadas pela política e teoria marxista no século XX.

6. BRANDÃO, Tanya Maria Pires. O escravo na formação do Piauí: perspectiva histórica do século XVIII. Teresina: EDUFPI, 2015. 215 p.

Adquiri esse livro como parte das minhas pesquisas para entender a formação do campesinato piauiense, fenômeno que não pode ser satisfatoriamente compreendido sem recorrer à escravidão.

7. CASTRO, Celso (Org.). Além do cânone: para ampliar e diversificar as ciências sociais. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2022. 320 p.

Este foi um presente da minha companheira. Neste livro, Castro apresenta cientistas sociais invisibilizados nos campos da sociologia e da antropologia. O livro contribui para pensar o que é o cânone, o que o institui, como ele é reproduzido e quais os seus efeitos para a formação de cientistas sociais. Penso que ele funciona à maneira do Contra-história da filosofia, de Michel Onfray, trazendo à tona pensadoras e pensadores a partir dos quais é possível contar uma outra história das ciências sociais e fazer uma outra ciência social.

Raphael Cruz

Bibliografia sobre o pós-anarquismo


Saul Newman (1972-)


REVISÕES PÓS-ESTRUTURALISTAS E PÓS-MODERNAS

O pós-anarquismo é um termo usado para designar teorias anarquistas surgidas a partir dos anos 1980, nas áreas de ciência e filosofia políticas, principalmente no mundo anglófono, baseadas em abordagens pós-estruturalistas (May, 2018; Newman, 2015) e pós-modernistas (Call, 2002). Saul Newman é um dos pensadores prolíficos do anarquismo pós-estruturalista ou pós-anarquismo.

DIFERENÇAS ENTRE ANARQUISMO E PÓS-ANARQUISMO

Sobre as diferenças entre anarquismo e pós-anarquismo, Ruth Kinna (2017) comenta que "a principal diferença teórica, da perspectiva de Newman, é que o anarquismo foi definido por uma concepção de anarquia como um programa de ação, uma ideia de revolução social e uma concepção de sociedade sem Estado, enquanto o pós-anarquismo está associado a modos autônomos de pensar e agir - a 'vontade de não ser governado' de Foucault — e a renúncia à revolução". 

CRÍTICAS AO PÓS-ANARQUISMO

Avaliando criticamente o pensamento pós-anarquista de Newman, Kinna (2017) conclui que "a teoria pós-anarquista, parece nos deixar em um impasse, incapazes de contemplar como a transformação social revolucionária pode ser imaginada, nem encorajados a adotar métodos de resistência que obriguem o Estado a se engajar na política radical".

O historiador norte-americano do movimento operário e biógrafo de Bakunin, Mark Leier (2009) afirma que "o pensamento pós-anarquista usa argumentos filosóficos muito sofisticados e elegantes, embora não novos, para sugerir que a filosofia pós- modernista é a base para justificar o anarquismo. Na medida em que isso minimiza a exploração de classe, o pós-anarquismo pode assemelhar-se mais ao liberalismo do que ao anarquismo".

Observando a coetaneidade do surgimento da teoria pós-anarquista com o "anarchist turn" nos novos movimentos sociais, Leier (2009) nota que "a ironia é que, assim que os ativistas colocaram o anarquismo na agenda de maneiras novas e entusiasmantes, os filósofos ameaçam torná-lo irrelevante".

O historiador conclui, propondo um retorno ao anarquismo histórico de Bakunin como rica fonte para encarar questões como classe e exploração do trabalho, afirmando que "uma vez que isto não é um problema novo ou pós-moderno, as tentativas de Bakunin de pensar sobre estes problemas ainda podem ser de alguma utilidade quando o anarquismo entra no século XXI".

***

BIBLIOGRAFIA SOBRE O PÓS-ANARQUISMO

AMSTER, Randall et al. (ed.). Contemporary anarchist studies: An introductory anthology of anarchy in the academy. Routledge, 2009.

ARDESTANI, Ali; IZADI, Amir Mohammad. Post-anarchism and political theory. Political Quarterly, v. 47, n. 2, p. 279-291, 2017.

BARGU, Banu et al. How not to be governed: Readings and interpretations from a critical anarchist left. Lexington Books, 2011.

CALL, Lewis. Post-anarchism Today. Anarchist Developments in Cultural Studies, n. 1, 2010.

DAY, Richard JF. Gramsci is dead: Anarchist currents in the newest social movements. Pluto Press, 2005.

DEWITT, Rebecca. Postructuralist Anarchism An Interview with Todd May. Newsletter of the Institute, v. 4, n. 2, 2000.

EVREN, Süreyya (Ed.). Post-anarchism: a reader. London: Pluto, 2011.

FRANKS, Benjamin. Postanarchism: A critical assessment. Journal of Political Ideologies, v. 12, n. 2, p. 127-145, 2007.

FRANKS, Benjamin. The Politics of Postanarchism. Anarchist Studies, v. 19, n. 1, p. 113-118, 2011.

GORDON, Uri. After Post-Anarchism. Anarchist Studies, v. 21, n. 2, p. 122, 2013.

KINNA, Ruth. Postanarchism. Contemporary Political Theory, v. 16, n. 2, p. 278-281, 2017.

LEIER, Mark. Bakunin, classe e pós-anarquismo. Disponível em https://bibliotecaanarquista.org/library/mark-leier-bakunin-classes-e-pos-anarquismo. Acesso em 18 jan 2023.

MAY, Todd. Anarchism, Poststructuralism, and Contemporary European Philosophy. In: Brill's Companion to Anarchism and Philosophy. Brill, 2018. p. 318-340.

MAY, Todd. Lacanian Anarchism and the Left. Theory & Event, v. 6, n. 1, 2002.

MAY, Todd. The political philosophy of poststructuralist anarchism. In: The Political Philosophy of Poststructuralist Anarchism. Penn State University Press, 2021.

MAY, Todd. Is post-structuralist political theory anarchist?. Philosophy & social criticism, v. 15, n. 2, p. 167-182, 1989.

MAY, Todd; NOYS, Benjamin; NEWMAN, Saul. Democracy, anarchism and radical politics today: An interview with Jacques Rancière. Anarchist Studies, v. 16, n. 2, p. 173, 2008.

MOORE, John. Anarchism and poststructuralism. Anarchist Studies, v. 5, n. 2, p. 157-61, 1997.

MORRIS, Brian. Reflections on "new anarchism". Social Anarchism, n. 42, p. 36, 2008.

NEWMAN, Saul. As políticas do pós-anarquismo. verve. revista semestral autogestionária do Nu-Sol., n. 9, 2006.

NEWMAN, Saul. Anarchism and the politics of ressentiment. Theory & Event, v. 4, n. 3, 2000.

NEWMAN, Saul. Anarchism, poststructuralism and the future of radical politics. SubStance, v. 36, n. 2, p. 3-19, 2007.

NEWMAN, Saul. Crowned anarchy: postanarchism and international relations theory. Millennium, v. 40, n. 2, p. 259-278, 2012.

NEWMAN, Saul. From Bakunin to Lacan: anti-authoritarianism and the dislocation of power. Lexington Books, 2001.

NEWMAN, Saul. Guerra ao Estado: o anarquismo de Stirner e Deleuze. Verve. Revista semestral autogestionária do Nu-Sol., n. 8, 2005.

NEWMAN, Saul. Gustav Landauer’s Anarcho-Mysticism and the Critique of Political Theology. Political Theology, v. 21, n. 5, p. 434-451, 2020.

NEWMAN, Saul. Politics of postanarchism. Edinburgh University Press, 2011.

NEWMAN, Saul. Politics of the ego: Stirner's critique of liberalism. Critical Review of International Social and Political Philosophy, v. 5, n. 3, p. 1-26, 2002.

NEWMAN, Saul. Pós-anarquismo: entre política e antipolítica. Politica & Trabalho, n. 36, 2012.

NEWMAN, Saul. Postanarchism. John Wiley & Sons, 2015.

NEWMAN, Saul. Postanarchism: a politics of anti-politics. Journal of Political Ideologies, v. 16, n. 3, p. 313-327, 2011.

NEWMAN, Saul. Postanarchism and space: Revolutionary fantasies and autonomous zones. Planning Theory, v. 10, n. 4, p. 344-365, 2011.

NEWMAN, Saul. Political theology: A critical introduction. John Wiley & Sons, 2018.

NEWMAN, Saul. War on the state: Stirner and Deleuze’s anarchism. Anarchist Studies, v. 9, n. 2, p. 147-164, 2001.

PRICE, Wayne. Post-anarchism on the State — An anarchist critique: response to Saul Newman, "Anarchism, Marxism, and the Bonapartist State". Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/wayne-price-post-anarchism-on-the-state-an-anarchist-critique.pdf. Acesso em 18 jan 2023.

ROUSSELLE, Duane. What Comes After Post-Anarchism?. Continent, v. 2, n. 2, 2012.



10 discos legais de 2022

1. Wet Leg - st 

Indie rock e new rock com sensibilidade pop. Talento para radio hits. Ouvi tanto esse disco em casa que a minha esposa enjoou.

2. Upchuck - Sense yourself 

O garage punk encontra o noise rock e escorrega num hardcore criativo.

3. Laufey - Everything I know about love 

Quando a geração Z reiventa o jazz vocal. Sensibilidade musical fora da atual bolha da música pop.

4. Gel - Shock therapy 

Hardcore punk com produção criativa. É animador quando o punk se afasta da nostalgia dos anos 80 e se permite explorar sonoridades outras.

5. End It - Unpleasant living 

O melhor vocalista de hardcore de 2022. Gostaria que o instrumental fosse menos metalizado e mais punk. Viciante!

6. Planet On A Chain - Deprogram

Hardcore youth crew bem produzido e tocado. Consegue reiventar aquela energia boa num subgenero já tão repisado.

7. Osees - A foul form

Uma banda com dois bateristas! A mais hardcore entre o garage punk. O multi-instrumentista John Dwyer canta como um louco.

8. Terror - Pain into power

A banda voltando as raízes. Scott Vogel ainda tem gogó. Agressivo e metalizado, feito pra quem ouviu o hardcore dos anos 2000.

9. Lamb of God - Omens

Metalcore groovado ainda consegue me encantar. Banda em total sintonia.

10. Hot Water Music

O HWM de sempre, porém um pouco mais roqueiro do que punk. Continuam entregando boas melodias emocionais.



18 boas leituras em 2022

Em ordem alfabética.

Antropoceno ou capitaloceno?, Jason W Moore (Org).

As aventuras de Sherlock Holmes, A. Conan Doyle

Burocracia e autogestão: a proposta de Proudhon, Fernando C. Prestes Mota

Determinismos sociais e liberdade humana, Georges Gurvitch

Depois, Stephen King

Observação sociológica, Mathilda Riley e Edward Nelson

O que é a propriedade, P.J Proudhon

O monstro e outros contos, Humberto de Campos

Os melhores contos de H.P. Lovecraft, H.P. Lovecraft

Revista Bakunin vive, n°3

Revista do Centro de Cultura Social, Especial Ricardo Flores Magón

Revita Terra sem Amos, n°4

Robson Crusoé, Daniel Defoe

Sertão maldito, Márcio Benjamin

STAR: Ação Revolucionária das Travestis de Rua, Sylvia Rivera e Marsha P. Jhonson

The sociology of Proudhon, Constance Hall

Torto arado, Itamar Vieira Jr.

Uma vila brasileira: tradição e transição, Emílio Willems

Treinando numa Smartfit pela primeira vez

  Brasília, 02 de julho de 2026 1. Primeira vez numa Smartfit. 2.  Achei escura. A última vez que estive num lugar assim foi num show de ...