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Há 10 anos, uma memória de estudante


No sumário da minha edição de O Capital, de Karl Marx, encontrei este registro: 16/02/2014 - 14h Abraão. Era o dia em que Abraão Sampaio apresentou o capítulo 1, seção I do Livro I, para o nosso grupo de estudos.

Reuníamos estudantes e trabalhadores, como David Montenegro, aos domingos, na sede do Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, no bairro Benfica, em Fortaleza. Um momento de troca, aprendizado e reflexão coletiva que deixou marcas.

Estudar Marx em um espaço de luta como esse proporcionava uma atmosfera intelectual singular.

Marx, Proudhon e a força coletiva no 11º capítulo de O Capital

Pierre-Joseph Proudhon e Karl Marx

No 11º capítulo do Livro I de O Capital, Karl Marx analisa a cooperação, um aspecto central para entender as dinâmicas do trabalho coletivo. 

Nesse trecho, é perceptível a influência da noção de força coletiva desenvolvida por Pierre-Joseph Proudhon. Contudo, Marx reelabora a nomenclatura, denominando a noção proudhoniana de "força de massas" e integrando-a em sua crítica às relações sociais do capitalismo.

No original alemão, conforme a edição da MEGA (1987), o termo utilizado é "Massenkraft". Na edição brasileira da Boitempo (2013), foi traduzido como "força de massas". Na versão inglesa da Progress Publishers (1999), optou-se por "the collective power of masses". Já nas traduções francesas, há variações significativas: a Quadrige/PUF (1993) adota "force d'une masse", enquanto a Éditions Sociales (1950) prefere "force collective".

Essas diferenças de tradução destacam nuances importantes, mas todas remetem à ideia de um poder que surge da cooperação humana no processo de trabalho.

Mais do que indicar uma proximidade conceitual, nesse capítulo, fica evidente que Marx leu, compreendeu e incorporou a noção de força coletiva apresentada por Proudhon para moldar sua crítica ao capitalismo industrial e ao seu processo de trabalho.


Raphael Cruz

Nota 20: Marx terceirizado

Karl Marx (1818-1883)

Certa vez, num grupo de estudos d'O capital, de Marx, um marxista criticou Proudhon. Perguntei-lhe qual livro do francês havia lido. Ele respondeu que nenhum, pois Marx já havia lido e criticado. Chamo a isso de "terceirização" da leitura e da reflexão.

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