Mostrando postagens com marcador Jack Kerouac. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jack Kerouac. Mostrar todas as postagens

Santa Tristessa

Jack Kerouac (1922-1969)


Tristessa (L&PM, 2006) é uma narrativa urbana e poética em primeira pessoa acerca da paixão do escritor Jack, alterego de Kerouc, pela prostituta Tristessa.

A ficção é estruturada no ritmo das idas e vindas dos dois em busca de drogas e amor.

Pode não ser uma história de amor, mas é com certeza uma história sobre amor.

A trama se passa na Cidade do México dos anos 1950, mais precisamente em sua periferia e bocas de fumo, nos bairros populares precários, sem saneamento e habitados pela classe trabalhadora, prostitutas, vagabundos.

Tristessa, assim como outros livros de Kerouac, é baseado na vida do autor, mesclando elementos biográficos e ficcionais.

A novela possui cinco personagens: as prostitutas Cruz e Tristessa, os viciados El índio e Old Bull, e o narrador, o próprio Jack.

Se livros como On The Road ou Dharma Bums são ambientadas em estradas, ferrovias e montanhas, a novela poética Tristessa se passa, na maior parte do tempo, em sujos ambientes de quatro paredes habitados por viciados em busca de uma dose.

Toda a novela é impregnada por um clima junk de chapação, drogas, alcoolismo, embriaguez, desorientação mental, enjoo e vomito

A narrativa é frenética, marcada por espanholismos e uma construção literária entre a prosa e a poesia.

Em certos trechos, lembra o poema Uivo, de Allen Gisnberg.

Na novela estão presentes os elementos costumeiros da escrita de Kerouac como o cristianismo e sua aproximação com o budismo; a aproximação entre profano e sagrado, representada por Tristessa, uma prostituta viciada católica praticante; diálogos semifilosóficos e semirreligiosos, que desembocam na criação de alguma máxima zen budista do tipo “nascidos para morrer”; a presença de amigos do autor como personagens semi-biográficos, neste caso William Burroughs como Old Bull.

Tudo isso embalado por citações de músicas de Frank Sinatra.

Como disse no início, essa pode não ser uma história de amor clássica, mas é uma história sobre amor, um amor de nossos tempos, um amor forte por uma figura frágil como Tristessa, que você deve ter cuidado para não cortar os dedos ao tentar agarrá-la e quebrá-la como um copo sujo de uísque barato.

Vagabundos e iluminados

 

Jack Kerouac (1922-1969)

Vagabundos iluminados (L&PM, 2004) é outro “livro de estrada”, mais uma road novel de Kerouac, assim como On the road e Viajante solitário.

O livro possui um enredo relativamente simples com poucos personagens.

Alguns dizem que ele é um On the road zen budista, espirituoso e iluminado.

Ele é mais religioso, com tentativas de conciliação entre oriente e ocidente, numa aproximação ética entre budismo e cristianismo.

A novela foi lançada um ano depois do sucesso de On the road.

Ela explora as andanças dos jovens universitários Ray Smith e Japh Rider vestidos com roupas baratas vendidas pelo Exército da Salvação, alimentados por boas refeições de vinte centavos em restaurantes de beira de estrada numa busca espiritual por trilhas em montanhas, rodovias e ferrovias estadunidenses, com um monte de andarilhos e demais vagabundos pelo caminho.

Tudo isso embalado por conversas sobre zen budismo, o vazio, alpinismo, a verdade e a poesia.

O livro possui descrições de paisagens, e da natureza, o que às vezes o torna cansativo, a não ser que você tenha um interesse especial por naturalismo ou geologia.

Apresenta também uma quantidade variada de cardápios para andarilhos, de feijão com carne de porco às frutas desidratadas.

Além de todas as dicas de logística para mochileiros, poeminhas improvisados durante caminhadas e todo o papo furado zen budista sobre o sentido da vida, Vagabundos iluminados é uma jornada espiritual e física à América profunda, a América popular, povoada por todos os tipos da classe trabalhadora do mar à terra, de caminhoneiros à estivadores.

É uma trilha com passagens iluminadas e outras escuras de um jovem em busca de si.

Treinando numa Smartfit pela primeira vez

  Brasília, 02 de julho de 2026 1. Primeira vez numa Smartfit. 2.  Achei escura. A última vez que estive num lugar assim foi num show de ...