Em seu manuscrito Considerações Filosóficas sobre o Fantasma Divino, sobre o Mundo Real e sobre o Homem (1870–1871), Bakunin sugere uma concepção metodológica particularmente interessante ao defender um movimento permanente entre o "concreto" e o "abstrato".
Para ele, o "conhecimento" não deve começar por "princípios metafísicos", essências ou categorias pré-estabelecidas, mas pelos "seres reais", pelas relações efetivas e pelos processos históricos concretos.
A partir da "observação" da realidade, o pensamento produz "abstrações" que permitem identificar "regularidades", conexões e determinações mais amplas.
Contudo, a investigação não pode encerrar-se nesse nível "abstrato". Os conceitos devem retornar ao mundo "concreto" do qual surgiram, iluminando a diversidade, a historicidade e o movimento dos fenômenos.
Bakunin observa que a vida realiza constantemente a passagem do concreto para o abstrato e do abstrato para o concreto, acrescentando que este "retorno ao concreto" é precisamente o momento que frequentemente "falta" à ciência.
Seu método implícito sugere articulação entre observação empírica, análise relacional, reconstrução histórica e crítica das abstrações que pretendem substituir a própria realidade.
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