Ao completar um século do falecimento de Mikhail Bakunin, foi realizado um congresso internacional de estudos na Itália sobre sua vida e obra.
Percebe-se que foi um grande evento pela quantidade de palestrantes renomados e demais participantes. Pena que não tenha se tornado uma tradição nem iniciado um campo relativamente estável de estudos sobre a obra bakuniniana ainda nos anos 1970.
Se passarariam três décadas para que parte considerável da produção intelectual de Bakunin fosse organizada pelo Instituto de História Social de Amesterdã e, com isso, uma série de investigações reavivassem esse impulso inicial e coletivo de pesquisa.
Se passarariam ainda quarenta anos até que ocorresse um evento internacional de tamanha projeção sobre o legado de Bakunin, como foi a Conferência do Bicentenário (1814-2014) de seu nascimento, em sua terra natal Pryamuchino, na Rússia.
Abaixo segue texto retirado e traduzido de Estel Negre, que recorda o evento internacional de 1976.
Raphael Cruz
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Entre os dias 24 e 26 de setembro de 1976, no centenário da morte de Mikhail Bakunin, foi realizado no Palazzo Seriman de Veneza (Vêneto, Itália) o Convegno Internazionale di Studi Bakuniniani (Congresso Internacional de Estudos Bakuninianos), organizado pelos Grupos Anarquistas Federados (GAF) e sob o patrocínio da Associação Cultural Libertária "A. e B. Carocari". O congresso, coordenado por Nico Berti, contou com a presença de dezenas de especialistas em Bakunin e centenas de pessoas interessadas em sua vida e obra. Nas sessões mais populares, reuniram-se mais de quinhentas pessoas na sala e no pátio adjacente, onde a organização havia instalado alto-falantes. Neste congresso, a figura de Bakunin foi estudada a partir de um ponto de vista acadêmico interdisciplinar, com diversas abordagens (sociológica, pedagógica, filosófica, ideológica, poética, etc.). Participaram com palestras destacados intelectuais, como Alexander Alexiev, Maurizio Antonioli, Henri Arvon, Giovanni Biagioni, Giampietro N. Berti, Amedeo Bertolo, Lamberto Borghi, Romano Broggini, Eduardo Colombo, Sam Dolgoff, Marianne Enckell, Paola Feri, Violette Gaffiot, Daniel Guerin, Gianni Landi, Arthur Lehning, Jean Maitron, Pier Carlo Masini, Luciano Pellicani, Giorgio Penzo, Silvia Rota Ghibaudi, Domenico Settembrini, Misato Toda, Tina Tomasi, Claudio Venza, Marc Vuilleumier, entre outros – Franco Della Peruta e Juan Gómez Casas estavam no programa, mas acabaram não participando. Em 1977, as Edizioni Antiestato de Milão (Lombardia, Itália) publicaram as atas sob o título Bakunin cent'anni dopo: Atti del Convegno Internazionale di Studi Bakuniniani.





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