Leitura 11: Da vitalidade analítica de Proudhon

 



E.P. Thompson, provavelmente sem ler Proudhon devido ao seu background marxista, abordou em "A formação da classe operária inglesa" (1963) uma noção semelhante à do rebelde filósofo francês sobre o "fazer-se" da classe trabalhadora.

Em seu livro "Da capacidade política das classes operárias" (1864), Proudhon propõe que se analise o fazer-se (autoatividade) e o pensar-se (autoconsciência) da classe trabalhadora como uma maneira de compreender sua capacidade política real.

Impressiona que um autor acadêmico e marxista do campo da história social, chegue 100 anos depois a enfoque  metodológico similar ao de Proudhon, e isto seja recebido como uma grande novidade, inclusive por pesquisadores que se reivindicam anarquistas.

De fato, a marginalização de Proudhon dos debates acadêmicos nas humanidades e ciências sociais, atrasou o próprio desenvolvimento dessas áreas do conhecimento.

Adoro a obra de Thompson, mas estudar Proudhon tem me feito perceber duas coisas: a vitalidade de suas elaborações teóricas e a subutilização delas até mesmo por quem se reivindica anarquista.


Raphael Cruz

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