Sociologia na ficção científica

A ficção científica é uma das poucas literaturas de ideias que ainda ousa pensar possibilidades de futuro frente ao “fim da história” do neoliberalismo ou dos apocalipses anunciados por Hollywood.

Em especial um ramo da FC é rico em possibilidades teóricas sociológicas, é a social science fiction.

Nesse “subgênero” figuram nomes como Aldous Huxley, Isaac Asimov, Ray Bradbury e Georg Orwell.

Resumidamente, se configura como uma FC que se concentra mais em questões de sociabilidade e estrutura social do que de tecnologia.

Dessa forma, o determinismo tecnológico que tão marcadamente impregna a maior parte da produção de FC é substituída por um “determinismo social”.

De um ponto de vista pedagógico, essa literatura ainda pode auxiliar nas disciplinas de introdução a sociologia nas escolas e universidades como uma alternativa preliminar aos textos mais densamente teóricos, se utilizando das metáforas literárias como algo que pode despertar a imaginação sociológica e o interesse dos recém-chegados ao mundo da sociologia.

Sobre a FC como recurso pedagógico em aulas de sociologia ver LAZ, Cheryl. Science Fiction and Introductory Sociology: The “Handmaid” in the Classroom. Teaching Sociology, Vol. 24, No. 1 (Jan., 1996, pp. 54-63).

Capítulos do livro MILSTRED, John W.; GREENBERG, Martin Harry (Org.). Sociology Through Science Fiction. New York: St. Martin Press, 1974. Os capítulos desse livro discutem tópicos como indivíduo e sociedade, entre outros, a partir de obras de FC.

Segue a relação dos capítulos:

The Study of Society

(Lost Newton, Misinformation)

Social Organization and Culture

(Positive Feedback, Deeper Than The Darkness, Of Course, Slow Tuesday Night, Gadget vs. Trend, Nobody Lives on Burton Street, The Shaker Revival, Guilty As Charged)

The Study of Society

(Lost Newton, Misinformation)

Social Organization and Culture

(Positive Feedback, Deeper Than The Darkness, Of Course, Slow Tuesday Night, Gadget vs. Trend, Nobody Lives on Burton Street, The Shaker Revival, Guilty As Charged)

Self and Society

(Integration Module)

Social Differentiation

(A Day In the Suburbs, Pigeon City, Generation Gaps)

Social Institutions

(Two’s Company, Primary Education of the Camiroi, Birthright, The Pedestrian, A Canticle for Leibowitz)

Population and Urban Life

(Total Environment, Single Combat).

Sarah Wernenchak fez a seguinte lista de filmes e temas que podem ser abordados a partir deles em aulas de sociologia:

Metropolis (1927) – gender, social class

Blade Runner (1982) – definitions of humanity, gender, slavery, stratification

Brazil (1985) – gender, rationalization, social class

Aliens (1986) – capitalism, gender

Gattaca (1997) – bodies, disability, identity

Princess Mononoke (1999) – gender

The Lord of the Rings trilogy (2001-2003) – gender, race

Children of Men (2006) – gender, immigration, race, reproductive politics

District 9 (2009) – postcolonialism, race

Avatar (2009) – postcolonialism,race

Ação e estrutura na sociologia



Retomei a leitura de Teoria social hoje, livro organizado por Giddens e Turner (1999).

Conheci o livro durante o processo seletivo para o mestrado em sociologia da Universidade Federal do Ceará, nos idos de 2012. 

Naquela época estudei por uma xerox e recentemente adquiri o livro. O que para mim torna a leitura mais prazerosa. 

No geral, a obra traz um panorama das teorias sociais contemporâneas. Isso se restringirmos a noção de “contemporâneo” até os anos 1980!

Tem interacionismo, sistema-mundo, behaviorismo, estuturalismo e pós estuturalismo, teoria crítica, retornos e críticas a Parsons, práxis e estruturacionismo. 

No capítulo Teoria da estruturação e práxis social, Ira J. Cohen (1999) analisa possibilidades e limites do positivismo (que transporia a lógica das ciências exatas para as humanas), interacionismo (que estaria preso a análise in situ), etnometodologia (que operaria uma assimetria completa entre comunicação e ação) e funcionalismo (uma abordagem estática que exclui a práxis).

O autor está preocupado em problematizar ação e estrutura de um ponto de vista que as relacione e não provoque uma exclusão recíproca. 

Formulada por Giddens, o estruturacionismo ou teoria da estruturação busca resolver epistemologicamente a relação entre “ação” e “estrutura” na sociologia. 

O estruturacionismo de Giddens, como afirma Cohen (1999), busca sair do lamaçal sem fim das discussões sobre ação e estrutura, talvez, o equivalente sociológico do dilema “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”. 

A saída metodológica que a teoria da estruturação oferece é não diluir a ação na estrutura, nem excluir a estrutura do condicionamento da ação social. 

Nesse sentido, na narrativa do estruturacionismo ressurgem todos aqueles binômios problematizantes que fazem parte das teorias sociais: “ação e estrutura”, “natureza e cultura”, “indivíduo e sociedade”, “permanência e mudança”, “regularidades e não regularidades”, “micro e macro”. Contudo, desde uma perspectiva não exclusivista, mas dialética, que busca integrar essas oposições.

Pensando em meus sujeitos da pesquisa, especificamente no que tange a análise de suas narrativas obtidas por entrevista semi-estruturada, acredito que o estruturacionismo, antes de me oferecer uma metodologia “pronta e acabada”, me oferece um tipo de sensibilidade epistemológica para tratar a relação entre ação e estrutura, representações sobre o trabalho e o próprio mundo do trabalho, um dos meus temas para a dissertação de mestrado. 

Ele me indica um caminho para não cair nas tentações de diluir o agente nas estruturas. E, por outro lado, também não isolar o agente das estruturas sociais e do Zeitgeist (espírito do tempo) de sua época.

Penso que essa tensão entre ação e estrutura é embaraçosa demais para ser resolvida de uma “tacada só”. E que terei de lidar com ela durante meu percurso de pesquisa. Contudo, sem absolutizar nenhuma dessas dimensões, seja um estruturalismo em demasia, que anula o agente ou o entende como mero reflexo das estruturas (a lá Althusser), ou um individualismo metodológico, que separa artificialmente o agente de seu contexto, reduzindo-o a traços psicológicos. 

Raphael Cruz


Referências

CHOEN, Ira J. Teoria da estruturação e práxis social. In: GIDDENS, Anthony; TURNER, Jonathan H. (Orgs.). Teoria social hoje. São Paulo: Editora UNESP, 1999.

GIDDENS, Anthony; TURNER, Jonathan H. (Orgs.). Teoria social hoje. São Paulo: Editora UNESP, 1999.


Nota: o presente texto foi revisado em 13 de outubro de 2022.

Weber e o declínio do Império Romano

Antigos camponeses romanos voltando para casa depois de um dia nos campos.
Ilustração para Vie De Cesar compilada por Henri De Montaut (Petit Journal, 1865).


Weber é enfático na identificação das causas que possibilitaram a derrocada do Império Romano. Para ele, não foram causas externas que explicam o fim do Império, mas causas internas (WEBER, 1989, p. 37).

A perspectiva multicausal de Weber, que articula fatores econômicos, políticos, sociais, culturais e geográficos de forma complexa, é perceptível logo no início do texto através da constatação do autor de um fato importante: 

“O Império Romano, considerado como entidade política, sobreviveu vários séculos ao apogeu de sua cultura” (WEBER, 1989, p. 37). 

Isso quer dizer, que mesmo quando “a poesia latina e grega dormiam o sono da morte” a estrutura política do Império continuou a se movimentar, a expandir-se, até que por falta de unidade interna causada, em parte, pelo declínio dos valores culturais do Império esse processo tornou-se insustentável.

A partir daí novos valores e formas de organizações sociais de base rural e camponesa (economia natural) deram lugar aos valores culturais e à estrutura política do Império.

Foi somente “século e meio mais tarde, ao extinguir-se a dignidade imperial do Ocidente, [que] advém a derrocada externa, tem-se a impressão de que já de há muito os bárbaros haviam triunfado a partir de dentro” (WEBER, 1989, p. 37). 

Nesse sentido, para Weber, a decadência do Império é um longo processo que começa a partir de dentro, com a decadência cultural, e depois se desdobra politicamente quando o Império não consegue mais sustentar sua própria estrutura política. 

Em síntese, há um fio condutor que liga a derrocada da cultura antiga à desagregação do Império.

Assim, variáveis culturais e econômico-políticas se entrelaçam na criação das condições de declínio da cultura antiga. 

O “ocaso da cultura antiga coincide com o restabelecimento da família nas camadas inferiores da população” (WEBER, 1989, p. 38), formando uma relação complexa onde “o restabelecimento do estamento camponês deu-se ao declinar a cultura antiga” (WEBER, 1989, p. 38).

Weber inicia sua análise tornando clara as peculiaridades da estrutura social da Antiguidade, frisando que essas peculiaridades determinaram o ciclo do desenvolvimento da cultura antiga. 

Um desses elementos é que a cultura antiga é basicamente uma cultura urbana porque era a cidade o centro gravitacional da vida política, da arte e da literatura do Império. 

Baseando-se economicamente na troca através do mercado da cidade, composto pelos produtos da indústria urbana com os frutos da estreita orla agrícola circundante, cria-se um circuito de troca direta e imediata entre produtores e consumidores (WEBER, 1989, p. 39).

Contudo, essa infraestrutura local se sobrepõe à um comércio internacional, propiciado pelo fato dessas cidades serem localizadas no litoral, o que leva Weber a ressaltar que a cultura antiga era uma cultura litorânea, sendo sua história a história das cidades costeiras. 

É por via marítima e pelos grandes rios que se mantêm o constante tráfico internacional, pois na Europa antiga não havia comércio interior como o que se desenvolverá posteriormente durante a Idade Média.

Assim, a narrativa weberiana vai pontuando os caracteres da cultura antiga do Império romano (urbana, litorânea, com propensão ao além mar, ao comércio internacional) ao mesmo tempo que vai demarcando os futuros contornos da Idade Média (rural, interiorana, com propensão ao comunitarismo, ao comércio local) (WEBER, 1989, p. 39-40).

Um ponto fundamental elencado por Weber na caracterização da cultura antiga é que ela era uma cultura escravista. 

Onde o trabalho livre da cidade coexiste com o trabalho servil no campo, “ao lado da livre divisão do trabalho mediante o intercâmbio no mercado urbano, a divisão obrigatória do trabalho pela organização da produção em economia fechada nas senhorias rurais” (WEBER, 1989, p. 41, destaques meus).

Em seguida, temos um Weber quase durkheimiano, quando afirma que o “progresso descansa na progressiva divisão do trabalho” (WEBER, 1989, p. 41).

Contudo essa divisão opera de maneira diferente nos sistemas de trabalho livre e servil. No primeiro é um processo identificado com a dilatação do mercado de modo extensivo pela ampliação geográfica e do uso do pessoal nas áreas de troca.

No trabalho servil, “a divisão do trabalho se efetua graças a uma progressiva acumulação de homens” (WEBER, 1989, p. 41), onde a especialização dos ofícios depende do grande número de escravos. 

Nesse contexto, a guerra antiga era uma caça de escravos (WEBER, 1989, p. 41). A função social da guerra no Império Romano estava relacionada com a demanda da acumulação de instrumentos falantes (os escravos), importante componente da dinâmica econômica dos romanos.

"A evolução do comércio internacional corre paralela à acumulação do trabalho servil na grande possessão de escravos. Desta forma, insere-se sob a super-estrutura comercial uma infra-estrutura em constante expansão, dedicada ao consumo não comercial" (WEBER, 1989, p. 42).

Assim, “na Antiguidade o comércio internacional fomenta as unidades econômicas domésticas (oikos), subtraindo assim à economia de comércio local toda a base de sustentação” (WEBER, 1989, p. 42).

Logo, a falta de consumidores para a produção local, visto que grande parte era formada por escravos, levou que o sustentáculo do mercado interno fosse sua dependência do comércio internacional.

Além da guerra significar a caça de escravos, ela também era baseada na apropriação de terras, visto que a luta nos exércitos estava ligada a motivação de possuir terras próprias e conquistar o direito à plena cidadania. 

Para Weber, aí reside o segredo da força expansiva do Império Romano (WEBER, 1989, p. 42). 

“Com a conquista de além-mar acaba esse estado de coisas; então o que impõe sua norma não é mais o interesse colonizador dos lavradores, mas o interesse de exploração das províncias pela aristocracia” (WEBER, 1989, p. 43). 

Assim, os proprietários de escravos passam a sustentar as necessidades cada vez maiores da vida, do comércio e da produção. O trabalho dos escravos passa a ser a base da organização do trabalho, ainda que o trabalho livre não tivesse deixado de existir (WEBER, 1989, p. 43).

Aos poucos, através da hipertrofia do trabalho escravo e diminuição do comércio local, vão se delineando os contornos da tese de Weber acerca do declínio de Roma, isso quer dizer, da passagem do comércio urbano à economia natural. 

Grandes faixas de terras interioranas são incorporadas ao mundo romano, o que para Weber significa o fortalecimento decisivo da cultura do trabalho servil, onde o centro de gravidade do Império passa para o interior. 

Vai-se abandonando o cenário da cultura de tipo litorânea. E o proprietário de escravos converte-se no suporte econômico da cultura antiga, com a organização do trabalho escravo constituindo a infraestrutura imprescindível da sociedade romana (WEBER, 1989, p. 44).

Essa dependência cada vez mais absoluta do trabalho escravo trouxe implicações para o funcionamento regular da economia. 

Uma economia baseada em escravos, era uma economia dependente de grandes quantidades de escravos, que eram tomados pelo Império através das guerras de conquistas. A suspensão da guerra de conquista no Reno por Tibério, reduziu o aprovisionamento regular do mercado de escravos, o que, ainda sob Tibério, levou à uma aguda crise de mão de obra (WEBER, 1989, p. 46).

Esse processo levará a uma série de rearranjos institucionais no mundo romano. 

Com a crise de mão de obra, a impossibilidade de que a produção progredisse com base nos quartéis de escravos (devido as dificuldades de reposição de homens, agora sem guerras de conquistas), se operará mudanças na situação dos escravos que viviam nas grandes empresas rurais. 

Eles continuarão submetidos ao poderia ilimitado do senhor sobre sua força de trabalho. Contudo, Weber observa que algo mudou radicalmente.

"Encontramos os escravos romanos vivendo no quartel 'comunista'; mas os servos da época carolíngia vivem nos “casarios” (mansus servilis), em terra cedida pelo senhor, como pequenos lavradores sujeitos à prestação pessoal nas glebas. O servo foi devolvido para a família, e com a família se apresenta, paralelamente, a propriedade pessoal. Esta dispersão dos escravos fora do 'oikos' aconteceu nos últimos tempos de Roma; e, com efeito, essa tinha que ser a consequência do decrescente auto-repovoamento do quartel de escravos" (WEBER, 1989, p. 47).

Weber está a observar a passagem do escravo para o vassalo, a restituição da família e da propriedade a estes homens, e que isso tinha um desdobramento sobre a questão da crise aguda de mão de obra, pois o trabalho na terra colocava um mínimo de autonomia na vida do vassalo, permitindo a reprodução da força de trabalho e a liberação do senhor das contingências de manutenção do escravo.

Para Weber essa foi uma evolução lenta, segura e profunda, um forte processo de transformação, principalmente, nas camadas mais inferiores da sociedade (WEBER, 1989, p. 48).

Ele ofereceu a base da articulação estamental que começava substituir a oposição entre livre e escravo

É a soma dessas articulações complexas como 1) a passagem da urbes para o campo, 2) do trabalho escravo para a vassalagem, 3) do comércio urbano para a economia rural, que vão desencadear o declínio do Império Romano rumo o desenvolvimento da sociedade feudal. 

É nesse sentido que Weber pode afirmar que “o desenvolvimento da sociedade feudal estava já no ar do Império Romano tardio” (WEBER, 1989, p. 50).

A própria configuração do Estado vai se alterando nesse complexo de mudanças, onde a  política financeira do Estado sofre grande impacto. 

O Império vai deixando de ser um conglomerado de cidades que exploram o campo para se converter num Estado que tentava incorporar e organizar as regiões interioranas que viviam de sua própria economia natural.

Os principais gastos do Estado (burocracia e exército) encontram limites no marcos do crescimento de uma estrutura social que dependia cada vez mais da dinâmica da economia natural. 

Assim, a possibilidade de cobrar impostos em dinheiro no contexto de uma economia natural ia se perdendo. 

Entra em processo de decadência a cidade, o comércio e os fatores que estavam relacionados intimamente com o tempo em que a cidade era o centro gravitacional da vida romana (WEBER, 1989, p. 52-53).

Para o jovem que estava no exército, era mais vantajoso se transformar em colono e fugir da decadência da cidade. Isso implicou mudanças profundas no recrutamento militar que tiveram consequências sobre a própria estrutura que viria a assumir o exército.

O recrutamento militar no distrito de sua residência foi, para Weber, “o primeiro prenúncio da desagregação do Império” (WEBER, 1981, p. 53-54). 

Contudo, agora o exército ganhava capacidade de auto-geração, sai o soldado celibatário, entra em cena o soldado profissional por herança que vivia em regime de matrimônio militar e também o recrutado entre os bárbaros lavradores.

Todo esse processo de fragmentação do antigo exército imperial de propensão universal, vai cedendo espaço para o exército do tipo comum no feudalismo, marcado por forte localismo, ligado a figura do rei. 

Este exército auto-provedor vai convertendo-se em exército de cavaleiros, na prática uma milícia de senhores de terras (WEBER, 1989, P. 55-56).

Em resumo, esse intenso processo de mudanças, possui fatores complexos que criam uma poderosa teia de nexos causais entre o desaparecimento da cidade litorânea, enquanto centro gravitacional da vida romana, à estruturação de uma sociedade rural e interiorana centrada em si mesma, que propicia a transformação da cultura antiga em cultura camponesa

Soma-se a isso, o declínio do comércio e a ascensão da economia natural, com a família e a propriedade sendo oferrtada a massa de servos, que deixavam de ser instrumentos falantes (escravos) para adquirirem condição de homem, onde o cristianismo cercou sua vida familiar de fortes garantias morais.

Em traços gerais, a narrativa weberiana da derrocada do Império e da cultura antiga se baseia numa multicausalidade de fatores que incidiram e se combinaram entre si de forma complexa e articulada.

Mesmo fazendo uso corrente das expressões marxianas de infra e superestrutura, Weber as opera de maneira diversa da de Karl Marx. 

Se em Marx a infraestrutura econômica determina de maneira unicausal toda a superestrutura (sendo esta apenas um reflexo da economia), a análise de Weber aponta para a relação entre super e infra-estrutura, onde ambas se cruzam, não havendo uma super-determinação de uma sobre a outra, mas uma complexa e multicausal relação.

Raphael Cruz


Referências

WEBER, Max. As causas sociais do declínio da cultura antiga. In: Weber, Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo, Editora Ática, 1989.

Observação: esta postagem foi revisada em 15 de outubro de 2022.

Weber e o desenvolvimento do capitalismo

Max Weber (1864-1920)


Para Weber, o capitalismo existe a partir do momento em que as satisfações das necessidades de um grupo humano se realiza a partir de um caráter lucrativo e por meio de empresas, onde uma exploração racionalmente capitalista é operada por empresa lucrativa que controla sua rentabilidade na ordem administrativa por meio da contabilidade moderna, estabelecendo um balanço (WEBER, 2010, p. 257).

Assim, o elemento constitutivo da exploração capitalista é o seu caráter racional (burocrático) com vista ao lucro, “orientada de tal maneira que, se imaginarmos eliminada esta classe de organização, fica em suspenso a satisfação das necessidades” (WEBER, 2010, p. 258).

Os fatores, ou condições prévias da exploração capitalista, são as seguintes:

“Apropriação dos meios concretos de produção por parte do empresário, liberdade de mercado, técnica racional, direito racional, trabalho livre e, finalmente, especulação, que assume importância a partir do momento em que a riqueza pose ser expressa por meio de valores transferíveis” (WEBER, 2010, p. 265).

Weber identifica: 

1) a apropriação ou monopólio (como diria Marx) dos meios de produção, separando o trabalhador dos meios de trabalho, rompendo de cima a baixo a imagem pré-Revolução Industrial do antigo artesão em sua oficina. 

2) A figura do empresário é o contraponto do trabalhador. É o empresário que agencia os valores dessa nova mentalidade racional da produção com vistas ao lucro. 

3) A técnica racional, visando diminuir os preços, impulsionando a concorrência, dando início a corrida a busca por inventos ainda no século XVII. 

4) A produção racional precisa como suporte de um direito racional. 

5) O trabalho livre formado pelos assalariados. 

6) Por fim, tem-se a especulação, isso quer dizer, a expressão da riqueza por meio de valores transferíveis, onde a figura institucional dos bancos são o suporte necessário desse tipo de ação.

Weber (2010, p. 330) nota que,

“Decisivamente, o capitalismo surgiu através da empresa permanente e racional, da contabilidade racional, da técnica racional e do direito racional. A tudo isto se deve ainda adicionar a ideologia racional, a racionalização da vida, a ética racional na economia”.

Essa ética racional e racionalização da vida se deve em parte aos efeitos da Reforma Luterana, “onde não se prega a pobreza, mas a posse da riqueza não deve induzir a um gozo puramente animal” (WEBER, 2010, p. 330), propiciando que “as personalidades rigidamente religiosas que se haviam enclausurado, tivessem que trabalhar dentro do mundo comum” (WEBER, 2010, p. 330), fazendo com que a ascese ultraterrena fosse absolvida.

Foi somente no Ocidente que esses fatores de ordem cultural, política, econômica, geográfica se imbricaram de tal forma que se condensaram na forma do capitalismo moderno com seu centro de gravitação sobre os processo de racionalização da produção e exploração com vistas ao lucro. 

Weber afirma que “o desenvolvimento da sociedade feudal estava já no ar do Império Romano tardio” (WEBER, 1989, p. 50). Assim, podemos também dizer que a sociedade capitalista já estava impregnando o ar do feudalismo a partir do desenvolvimento do mercantilismo.

Para Weber, o mercantilismo é “a transferência do interesse do lucro capitalista para a política. O Estado procede como se tivesse única e exclusivamente formado por empresários capitalistas” (WEBER, 2010, p. 315). 

Foi a partir dai  (do mercantilismo) que encontramos uma poderosa articulação entre Estado e capital, nos dizeres de Weber, uma “aliança do Estado com os interesses capitalistas” (WEBER, 2010, p. 317).

Assim, temos em Weber uma série de fatores típicos da história do Ocidente que começam a se desenvolver no interior do feudalismo que vão se condensando até atingirem a forma do mercantilismo que preparou o terreno para a superação do feudalismo pelo sistema capitalista.

Raphael Cruz


Referências

WEBER, Max. Origem do capitalismo. In: WEBER, Max. História geral da economia. Cap IV. São Paulo: Centauro, 2010.


Tarde demais para Durkheim?

Gabriel Tarde (1843-1904)
 


O debate entre Gabriel Tarde e Émile Durkheim no final do século XIX e início do XX na França foi fundamental para o futuro da sociologia.

Não foi qualquer debate, pois marcado por posições divergentes em relação ao objeto e ao método, a subordinação ou autonomia da sociologia frente a psicologia e aos outros campos do saber.

Durkheim enfatizou a primazia do coletivo sobre o individual, enquanto Tarde realizava o caminho oposto. 

Enquanto o primeiro partia da análise dos fatos sociais, o segundo a iniciava a partir da psicologia individual.

Durkheim advogava a especificidade do social e a autonomia científica da sociologia, enquanto Tarde defendia a dependência do social a consciência individual e a subordinação da sociologia à psicologia.

Se o pensamento de Durkheim caminhou rumo à determinação do social sobre o indivíduo, Tarde foi rumo a autonomia do indivíduo sobre a coletividade.

Refletindo a partir do conceito de campo de Bourdieu, podemos indicar que na disputa interna ao campo intelectual francês da passagem para o século XX, os pensadores operaram discursos divergentes e ocuparam posições diferentes. 

Tarde era um livre-pensador, já Durkheim o profissional da sociologia.

No decorrer do século XX, a sociologia de Durkheim conseguiu acumular capital social o suficiente para se tornar um dos cânones intelectuais da sociologia moderna, sedimentando uma posição dominante no campo científico em relação à abordagem psicológica da sociologia tardiana.

No entanto, ao longo da história específica do campo, seus eixos e estruturas podem ser redefinidos.

Assim, a sociologia de Tarde experimentou um certo redescobrimento e associações com a microfísica do poder de Foucault, a filosofia da diferença de Deleuze e com a teoria do ator-rede de Bruno Latour, este um dos mais destacados neo-tardeanos contemporâneos, ocupando a cadeira Gabriel Tarde no Institut d'études politiques de Paris.

Partindo de uma perspectiva pós-durkheimiana e pró-Tarde, Latour chega a afirmar que a redescoberta de Gabriel Tarde é um começo alternativo para uma ciência social alternativa.

Seria, então, tarde demais para Durkheim?

Raphael Cruz


Santa Tristessa

Jack Kerouac (1922-1969)


Tristessa (L&PM, 2006) é uma narrativa urbana e poética em primeira pessoa acerca da paixão do escritor Jack, alterego de Kerouc, pela prostituta Tristessa.

A ficção é estruturada no ritmo das idas e vindas dos dois em busca de drogas e amor.

Pode não ser uma história de amor, mas é com certeza uma história sobre amor.

A trama se passa na Cidade do México dos anos 1950, mais precisamente em sua periferia e bocas de fumo, nos bairros populares precários, sem saneamento e habitados pela classe trabalhadora, prostitutas, vagabundos.

Tristessa, assim como outros livros de Kerouac, é baseado na vida do autor, mesclando elementos biográficos e ficcionais.

A novela possui cinco personagens: as prostitutas Cruz e Tristessa, os viciados El índio e Old Bull, e o narrador, o próprio Jack.

Se livros como On The Road ou Dharma Bums são ambientadas em estradas, ferrovias e montanhas, a novela poética Tristessa se passa, na maior parte do tempo, em sujos ambientes de quatro paredes habitados por viciados em busca de uma dose.

Toda a novela é impregnada por um clima junk de chapação, drogas, alcoolismo, embriaguez, desorientação mental, enjoo e vomito

A narrativa é frenética, marcada por espanholismos e uma construção literária entre a prosa e a poesia.

Em certos trechos, lembra o poema Uivo, de Allen Gisnberg.

Na novela estão presentes os elementos costumeiros da escrita de Kerouac como o cristianismo e sua aproximação com o budismo; a aproximação entre profano e sagrado, representada por Tristessa, uma prostituta viciada católica praticante; diálogos semifilosóficos e semirreligiosos, que desembocam na criação de alguma máxima zen budista do tipo “nascidos para morrer”; a presença de amigos do autor como personagens semi-biográficos, neste caso William Burroughs como Old Bull.

Tudo isso embalado por citações de músicas de Frank Sinatra.

Como disse no início, essa pode não ser uma história de amor clássica, mas é uma história sobre amor, um amor de nossos tempos, um amor forte por uma figura frágil como Tristessa, que você deve ter cuidado para não cortar os dedos ao tentar agarrá-la e quebrá-la como um copo sujo de uísque barato.

Vagabundos e iluminados

 

Jack Kerouac (1922-1969)

Vagabundos iluminados (L&PM, 2004) é outro “livro de estrada”, mais uma road novel de Kerouac, assim como On the road e Viajante solitário.

O livro possui um enredo relativamente simples com poucos personagens.

Alguns dizem que ele é um On the road zen budista, espirituoso e iluminado.

Ele é mais religioso, com tentativas de conciliação entre oriente e ocidente, numa aproximação ética entre budismo e cristianismo.

A novela foi lançada um ano depois do sucesso de On the road.

Ela explora as andanças dos jovens universitários Ray Smith e Japh Rider vestidos com roupas baratas vendidas pelo Exército da Salvação, alimentados por boas refeições de vinte centavos em restaurantes de beira de estrada numa busca espiritual por trilhas em montanhas, rodovias e ferrovias estadunidenses, com um monte de andarilhos e demais vagabundos pelo caminho.

Tudo isso embalado por conversas sobre zen budismo, o vazio, alpinismo, a verdade e a poesia.

O livro possui descrições de paisagens, e da natureza, o que às vezes o torna cansativo, a não ser que você tenha um interesse especial por naturalismo ou geologia.

Apresenta também uma quantidade variada de cardápios para andarilhos, de feijão com carne de porco às frutas desidratadas.

Além de todas as dicas de logística para mochileiros, poeminhas improvisados durante caminhadas e todo o papo furado zen budista sobre o sentido da vida, Vagabundos iluminados é uma jornada espiritual e física à América profunda, a América popular, povoada por todos os tipos da classe trabalhadora do mar à terra, de caminhoneiros à estivadores.

É uma trilha com passagens iluminadas e outras escuras de um jovem em busca de si.

Zizek e a escrita

Slavoj Žižek (1949 -)


Ganhei de presente o livro de Zizek Às portas da revolução

A escrita do autor é bastante digressiva, o que me fez lembrar o estilo de Bakunin, com suas constantes mudanças de tema, apesar de, no fundo, está abordando o mesmo assunto através de outros vieses. 

Encantou-me bastante como o autor "mistura" política, cinema e psicanálise. 

Ele começa falando da teoria e prática de Lenin, pega um fato ocorrido na vida dele e começa analisar a parte psicológica deste fato, faz uma ponte com algum filme norte-americano e por fim volta a Lenin.

Zizek meio que é o intelectual do momento, ele mistura Lacan com Marx, faz uma interessante crítica ao multiculturalismo e as teorias pós-modernas. Defende não um retorno a Lenin, mas o “repetir do gesto leninista.”

Em um documentário, Zizek explica como é o seu método de escrita, que achei semelhante ao meu.

Para o autor é impossível sentar e escrever. Ele não começa Escrevendo, com “e” maiúsculo.

Ele apenas inicia anotando ideias, depois essas ideias se dividem em duas ou três, ai ele começa a desenvolver cada uma delas, quando ele se toca já está editando o material que escreveu e pondo notas de rodapé. 

No fim toma consciência de que já escreveu.

E tudo começa despretensiosamente apenas anotando ideias.

Foi assim com a maioria dos textos que escrevi também. Li ou ouvi algo, ou simplesmente tive uma ideia, me inspirei e comecei a desenvolver um pensamento. Depois vieram outras ideias e comecei a desenvolvê-las, "quando vi" estava com um texto.

O mais interessante de Zizek são suas “sacadas”. 

Isso torna seu pensamento muito refrescante, muito iluminado, realmente bom e faz seguir até o fim da leitura, apesar de todas as mudanças de foco, mas não de tema, que o autor faz. 

Quando digo sacadas me refira a afirmação dele de que os atentados de 11 de setembro nos EUA foram o equivalente ao XX Congresso do Partido Comunista Russo. 

Ou então descobertas que ele revela, do tipo, a maioria do corpo pertencente a juventude hitlerista advinha da polícia da social-democracia alemã que ajudou a reprimir os espartaquistas.

Essas sacadas possuem um valor teórico, passadas através de uma leveza, como se estivéssemos conversando com um amigo numa mesa de bar.

E acho que isso é parte fundante do pensamento dele, pois é constante as notas de rodapé citando que ideias suas e trechos de seus livros surgiram

em conversas informais com ouros intelectuais, como Alain Badiou, por exemplo.

Raphael Cruz


Referência

ŽIŽEK, Slavoj; LENIN, Vladimir. Às portas da revolução: escritos de Lenin de 1917. Boitempo Editorial, 2005.

Observação: esta postagem foi revisada em 16 de outubro de 2022.

Raymond Pettibon ou o traço da música independente

 A capa de Goo do Sonic Youth talvez seja o trabalho mais conhecido de Raymond Pettibon.

Este é o nome artístico de Raymond Ginn, irmão de Greg Ginn, o experimental guitarrista do Black Flag.

Apesar de Goo ser dos anos 90 e o primeiro disco do SY com uma major, ele é mais popular do que todos aqueles flyers e capas que Pettibon fez para a banda de seu irmão no fim dos anos 70 e começo dos 80.

Na verdade sua arte pertence a essa época.

Pettibon é o traço mais marcante do underground norte-americano.

Seus desenhos monocromáticos são a expressão visual do som artesanal daquele período de ouro da música independente.

Eles me lembram o pornográfico Carlos Zéfiro, o autor dos famosos "catecismos".

Dizem que quando a coisa é boa faz escola. Com Pettibon não poderia ser diferente.

A emblemática capa de Goo já rendeu vários tributos.

Se o nanquim produzisse som, o de Pettibon soaria como todas aquelas maravilhas do underground.

A sociologia crítica de Franco Ferrarotti

Franco Ferrarotti (1926 -)

"Uma investigação põe sempre, inevitavelmente, um problema político." Franco Ferrarotti


Gostaria de ter encontrado o livro de Franco Ferrarotti Uma Sociologia Alternativa quando ainda cursava ciências sociais, mas só o achei no término do curso.

E gostaria de tê-lo encontrado por um motivo bem simples, ele teria sido o meu guia, o mestre que não tive. 

O livrinho teria me ajudado a esclarecer muitas das minhas dúvidas que surgiram no decorrer do curso sobre a relação entre ideologia, método e ciências sociais. 

Dúvidas que criavam impasses insolúveis devido a minha formação ainda inicial.

Não existe edição brasileira para o livro, o que dificultou meu encontro com ele, apenas portuguesa, que saiu pela editora Afrontamento.

O subtítulo do livro, da sociologia como técnica do conformismo à sociologia crítica, explicita seu conteúdo. 

A obra é, nas palavras de Ferrarotti, um acerto de contas com ele mesmo, mas que não se limita a um fato privado. É também mais que um programa e menos que uma estratégia, eu diria que é uma bússola.

O livro é composto de curtos "tiros sociológicos", pequenos textos que versam sobre o pensar sociológico e suas implicações metodológicas, sociais e, sobretudo, políticas. 

O tom, às vezes, é cáustico, o que Ferrarotti adverte no início, mas a colocação dos problemas e o raciocínio são perfeitamente claros e bem articulados.

Os títulos dos capítulos dão uma amostra da obra: O objeto da sociologia crítica não é a sociologia; Os conceitos sociológicos não são meta-históricos; O que está por detrás dos números; O operário como pessoa mutilada; A racionalidade irrazoável; Desprivatizar a ciência; A autocensura da sociologia urbana, etc.

Pelo espírito crítico e a veia rigorosa no tratamento sociológico das questões, coloco este italiano na mesma galeria de pensadores brasileiros como Florestan Fernandes e Octavio Ianni.

Penso que todos devíamos fazer uma "confissão" ao término de nossos cursos para exorcizarmos nossos demônios epistemológicos e termos clareza para dar os próximos passos. 

O que Ferrarotti fez em seu livro, serve como método para todos nós.

Raphael Cruz


Referência

FERRAROTTI, Franco. Uma sociologia alternativa: da sociologia como técnica do conformismo à sociologia crítica. Coleção Crítica e Sociedade nº 6. Tradução António Esteves. Portugal: Afrontamento, 1976. 184p.

Observação: esta postagem foi revisada em 16 de outubro de 2022.

Bakunin e a dialética negativa

Mikhail Bakunin (1814-1876)


Chegou meu livro do Bakunin, A Reação na Alemanha

É um de sues primeiros textos, ainda da época dos Jovens Hegelianos. 

Está sendo maravilhoso entender a dialética de Bakunin. 

Ainda não terminei de ler. 

Bakunin dá importância para o elemento negativo da dialética. 

Para Bakunin, assim como para Proudhon, mas diferente de Marx, não há síntese. 

O que existe é uma contradição “eterna” sem solução, onde o fim da contradição, o fim da luta e do movimento, é o fim da vida.

O movimento é necessariamente contraditório. 

Por isso para Bakunin a Ordem é a morte, porque ela é o fim do movimento, o fim da contradição. 

O entendimento da dialética de Bakunin é realizado melhor se usada a ciência política e a relação entre as classes na história.

Raphael Cruz


Referência

BAKUNINE, Miguel. A reação na Alemanha.In: Cadernos Peninsulares, Nova Série, Ensaio 17.  Tradução: José Gabriel. Portugal: Editora Assírio & Alvin, 1976.

Obervação: esta postagem foi revisada em 16 de outubro de 2022.


Morreu o homem que inventou a adolescência

Morreu nesta quarta-feira (27) o escritor J. D. Salinger, autor do clássico O Apanhador no Campo de Centeio.

Este é um livro que você carrega para a vida inteira, principalmente se o ler na adolescência.

Quando o li já estava com 23 anos e me arrependi de não tê-lo lido com 17.

Mesmo assim me identifiquei com o protagonista, o jovem e inquieto Holden Caulfield.

Salinger levou uma vida reclusa, longe da imprensa e das investidas de diretores e editores de criar uma continuação de seu livro clássico.

O diferencial  de seu livro para a época em que foi escrito (1951) foi ter colocado como protagonista um adolescente, o que era raro num mundo literário dominado pela figura do adulto.

Alguns chegaram a afirmar que Salinger inventou a adolescência na segunda metade do século XX.

Se você conhece algum jovem inquieto no auge de sua juventude, não deixe de recomendar a leitura de O Apanhador no Campo de Centeio, talvez ele te agradeça no futuro.

Mas mesmo que você não seja mais um garoto, não deixe de ler, poderá descobrir ou redescobrir coisas esquecidas.

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