Do mutualismo à ameaça a segurança nacional

Manifestação das Ligas Camponesas em Sapé, Paraíba, anos 1960. Fonte.


O maior movimento camponês do Brasil pré-ditadura militar, Ligas Camponesas, se originou de uma prática mutualista.

Camponeses que se cotizaram para garantir que seus camaradas fossem enterrados dignamente em caixão de madeira e não num pedaço qualquer de pano.

Esse fato sempre me lembra o historiador Howard Zinn afirmando que grandes transformações sociais nascem de pequenas ações.

No caso das Ligas Camponesas é interessante observar como algo que surgiu como prática de apoio mútuo, num sentido endógeno, de camponês para camponês, se desenvolveu até ganhar um sentido exógeno, como conflito com o Estado e a burguesia agrária, tornando as Lugas uma ameaça a segurança nacional, segundo a perspectiva das classes dominantes.

Contudo agrego que não foi qualquer prática de apoio mútuo, mas uma que atendeu com êxito uma demanda concreta de um grupo social específico, produzindo autoestima, senso de coletividade e expectativa de autonomia em seus agentes.


Raphael Cruz

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