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| Ocupação de escola em 2016. Fonte. |
Esse ano, completam-se 10 anos do mais recente ciclo nacional de ocupações de escola que ocorreu no Brasil, iniciado em outubro de 2015 e adentrando o ano de 2016.
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| Ocupação de escola em 2016. Fonte. |
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| Manifestação das Ligas Camponesas em Sapé, Paraíba, anos 1960. Fonte. |
O maior movimento camponês do Brasil pré-ditadura militar, Ligas Camponesas, se originou de uma prática mutualista.
Camponeses que se cotizaram para garantir que seus camaradas fossem enterrados dignamente em caixão de madeira e não num pedaço qualquer de pano.
Esse fato sempre me lembra o historiador Howard Zinn afirmando que grandes transformações sociais nascem de pequenas ações.
No caso das Ligas Camponesas é interessante observar como algo que surgiu como prática de apoio mútuo, num sentido endógeno, de camponês para camponês, se desenvolveu até ganhar um sentido exógeno, como conflito com o Estado e a burguesia agrária, tornando as Lugas uma ameaça a segurança nacional, segundo a perspectiva das classes dominantes.
Contudo agrego que não foi qualquer prática de apoio mútuo, mas uma que atendeu com êxito uma demanda concreta de um grupo social específico, produzindo autoestima, senso de coletividade e expectativa de autonomia em seus agentes.
Raphael Cruz
A representação do eu na vida cotidiana é um livro clássico, no qual Erving Goffman inaugura sua "sociologia dramatúrgica", comumente confundida com o interacionismo simbólico.
Nesta obra, publicada em 1956, ele utiliza a metáfora do teatro para analisar as interações sociais, sugerindo que as pessoas, ao se relacionarem, estão encenando papéis diante dos outros, como se estivessem num palco.
Li pela primeira vez em 2012, para a seleção do mestrado em sociologia da UFC, na qual fui aprovado.
As interações cotidianas que se repetem no tempo e no espaço são a base para a formação de relações sociais, que são a transformação das interações em algo mais constante. Por sua vez, dada a estabilidade das relações sociais, estas conseguem por em movimento processos sociais, sejam de produção, reprodução ou transformação de uma determinada ordem social. Contudo, tanto as interações, as relações como os processos se constituem a partir de determinadas estruturas sociais, que lhes dão as condições de possibilidade, as influenciando em seu funcionamento e sendo influenciadas por elas, seja no sentido da reprodução, da transformação ou produção de novas estruturas sociais. Ainda que o nível 1 desse esquema da ordem social, a interação, prescinda de estruturas sociais, o nível 4, a condição de possibilidade das estruturas estão nas interações, o nível "inicial" onde a ordem social é posta em movimento de produção, reprodução ou transformação. Entretanto, a interação prescinde tanto da estrutura quanto da cultura, esta propicia a comunicação ou a não comunicação da qual se vale a interação para operar socialmente.
O Zorro criado por McCulley e transformado em quadrinhos por Alex Toth é um tema sociológico goffmaniano. A existência de Diego de La Vega e seu escudeiro Bernardo é organizada em torno de um ostensivo trabalho de manutenção da fachada para controlar a impressão que os outros têm deles. Há um jogo constante e arriscado para os personagens ao ter que alternar as performances entre o frontstage e o backstage no palco da vida social da vila de Los Angeles.
Lendo a literatura anarquista, percebo que das reflexões de Proudhon em Da Capacidade Política das Classes Operárias às memórias de Archinov sobre a experiência da Makhnovitchina, o anarquismo se forja historicamente como prática e teoria da autodeterminação da classe trabalhadora.
O que sabemos sobre as “comunas agrárias” implantadas pela Makhnovitchina? Em suas memórias, Nestor Makhno (1988) descreve algo de sua orga...