Melhor aquisição de livro em 2025


A melhor aquisição desse ano foi uma edição espanhola de A capacidade política da classe trabalhadora, o testamento político de Proudhon, datada de 1869 e com tradução de Pi Y Margall.

O exemplar foi possivelmente restaurado, pois está em ótimas condições, e possui uma dedicatória realizada em 1959.

Existe uma tradução parcial em português da obra pela editora Intermezzo.

As raízes dos projetos societários do anarquismo e do sindicalismo revolucionário estão aí esboçadas.

Particularmente na proposta de que a classe trabalhadora possui as condições para autogerir a economia e, assim, reinventar a política através do federalismo, por fora e contra qualquer tutela capitalista ou burocrática.

Proudhon nomeou isso, antes de trotskistas e maoístas utilizarem estes termos, de "democracia operária" ou "nova democracia", assentada na força coletiva dos produtores, organizada por um direito econômico e político comutativos e sinalagmáticos.

Um olhar sociológico atento também encontra aí as raízes da discussão sobre a autoprodução do social e da reciprocidade, temas estes que tanto fizeram as cabeças de Émile Durkheim e Marcel Mauss em suas críticas ao utilitarismo nas ciências sociais.

Lembrando que os durkheimianos foram leitores e comentadores de Proudhon.

Enfim, obra com desdobramentos frutíferos e longevos no socialismo e na sociologia, contudo, permanece quase desconhecida na esquerda e na academia de nosso país.

II Colóquio Pesquisa e Anarquismo



A convite da colega Luciana Brito, da Comissão Organizadora, fui chamado a compor o Comitê Científico do II Colóquio Pesquisa e Anarquismo, que ocorrerá em abril de 2026 em Florianópolis.

O evento tem como objetivo possibilitar a aproximação de pesquisadoras/es do campo anarquista ou que partam de teorias, abordagens e práticas anarquistas para embasar suas produções acadêmicas e militantes. As inscrições são gratuitas e já estão abertas.

Nos vemos em Floripa! Para mais informações, clique aqui.

Trabalho, guerra e revolução: As comunas agrárias makhnovistas

O que sabemos sobre as “comunas agrárias” implantadas pela Makhnovitchina?  Em suas memórias, Nestor Makhno (1988) descreve algo de sua orga...