Lendo as memórias de Makhno, é possível perceber que na Makhnovitchina foi preservada a posse familiar da terra.
Essa preservação desempenha um papel crucial para a reprodução camponesa enquanto camponês propriamente dito, e não como um operário agrícola.
Maximoff, que se identificava como sindicalista revolucionário/anarcossindicalista, defendeu, em 1927, a "comunização imediata" da terra, propondo o fim imediato da posse familiar camponesa.
Em sua crítica à Plataforma da União Geral dos Anarquistas, elaborada por Makhno, Arshinov e Mett, destacou sua oposição à manutenção da posse familiar.
Contudo, em 1932, após observar os efeitos da coletivização forçada na URSS (1929-1931), Maximoff revisou sua posição sobre a "comunização imediata", aproximando-se da visão plataformista que havia anteriormente criticado.
Para Proudhon, Bakunin, os plataformistas originais e na experiência concreta da Makhnovitchina, a posse familiar camponesa não tinha o mesmo significado que no marxismo e, aparentemente, também no sindicalismo revolucionário/anarcossindicalismo russo do período, como exemplifica o caso de Maximoff.
Esse é um debate instigante, que tenho estudado e pretendo explorar em um artigo futuro.
Raphael Cruz
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