O maior legado de um velhinho de Vermont

 Noto que a ecologia social de Bookchin assumiu alguma importância para os movimentos sociais e ecológicos entre o fim dos anos 1960 e o início da década de 1990, ao ponto de receber críticas tanto de direita (ecologia profunda) como de esquerda (anarcossindicalismo).

Os textos de Murray Bookchin sobre agricultura, produzidos entre 1962 e 1976, são um primor de bem escritos e relevantes para o contexto do sul global devido à ênfase dada pelo autor aos prejuízos sociais e ecológicos promovidos pelo uso indiscriminado de agrotóxicos.

Na minha opinião, a principal contribuição de Murray Bookchin não foi a estratégia política do municipalismo “libertário”, mas a inserção de um paradigma ecológico nos projetos socialistas.

Essa foi a contribuição mais universal do velhinho de Vermont, justamente por não estar tão presa às particularidades culturais da Nova Inglaterra, ao contrário da ideia de ganhar prefeituras pelo voto e depois submetê-las às assembleias de cidadãos.


Proudhon, segundo O Apostolo

 

O Apostolo, 13 de maio de 1877

Interessante representação sobre Proudhon neste jornal católico de 1877. Ele é classificado como um "homem malfazejo", maçom, alguém que traz "em si desde o berço o estigma da maldição de Deus". Ele também é responsabilizado pela Internacional e pela Comuna de Paris.




Periódicos anarquistas: edições especiais sobre a questão agrária

 

À esquerda, a edição da Anarchy dedicada à agricultura. À direita, a edição de A Ideia sobre a questão agrária.

Pesquisar a relação entre anarquismo e a questão agrária tem me levado a encontrar materiais pouco usuais na "anarco-esfera". Um desses foi uma edição de 1982 da revista portuguesa A Ideia, dedicada ao campesinato. No ano passado, encontrei material similar, mas de origem britânica: a edição de 1964, dedicada à agricultura, da revista Anarchy. Registro esses dois achados no blog, tanto como memória de pesquisa quanto como uma possibilidade de acesso a esses materiais no futuro.

Raphael Cruz

Questão ambiental como questão social

 Hoje, eu e a bióloga Dra. Regiane Soares mediamos a palestra da Dra. Dolores Silva (UFPA) intitulada Racismo ambiental, mudanças climáticas e direitos humanos. A mesma ocorreu no âmbito da VI Semana de Pedagogia do Campus Amílcar Ferreira Sobral, da UFPI.

Dolores apresentou uma interessante reflexão a partir da noção de racismo ambiental sobre as afetações desiguais das mudanças climáticas. Com formação em sociologia política pelo antigo IUPERJ, a socióloga trabalhou os aspectos políticos das mudanças climáticas e sua interface com os direitos humanos das populações vulnerabilizadas.

Em diálogo com Dolores e Regiane, argumentei que, em um planeta que esquenta e os oceanos acidificam, a questão social passa a ser cada vez mais uma questão socioambiental, e um tema incontornável da contemporaneidade.

Em um planeta em que respirar se torna uma luta, a questão ambiental atravessa o gênero, a raça e a classe, força o capitalismo a se reinventar como verde e ao Estado dar respostas. Provoca também as ciências sociais e naturais a ousarem e dar um passo para além das políticas públicas", recolocando na ordem do dia um debate tão complexo quanto inadiável sobre o modelo societário de que necessitamos para respirar e viver com dignidade.

Raphael Cruz

Trabalho, guerra e revolução: As comunas agrárias makhnovistas

O que sabemos sobre as “comunas agrárias” implantadas pela Makhnovitchina?  Em suas memórias, Nestor Makhno (1988) descreve algo de sua orga...