W.I Thomas e a definição da situação

W. I. Thomas (1863-1947)


"Se as pessoas tomam certas situações como reais, tais situações são reais em suas consequências".

Esse é o famoso "teorema de Thomas" proveniente de seu estudo The child in America: behavior problems and programs (1928).

O próprio Thomas explica seu teorema a partir de um exemplo.

Imagine um país imerso em uma guerra civil em que dois grupos lutam pelo poder.

Um dia a guerra termina, mas não é possível comunicá-la aos habitantes de uma determinada área.

Ali, os membros dos dois grupos continuariam a lutar, de acordo com sua "definição de realidade".

O teorema indica como a definição da realidade pode ser subjetivamente construída e a partir de aí influenciar objetivamente a própria realidade.

O teorema de Thomas preserva uma capacidade explicativa atualíssima.

As "fake news", por exemplo, que partem de uma falsa definição da realidade, afetam a sociedade quando orientam a conduta de quem acredita em suas afirmações.

Assim, uma notícia sobre como a cloroquina combate os efeitos da COVID-19 no organismo humano acarreta aumento da venda desse medicamento em farmácias.

Por mais que a cloroquina não tenha eficácia comprovada sobre o vírus, uma falsa definição da realidade acarretou um efeito real, o aumento nas vendas desse medicamento.


Raphael Cruz

Publicado originalmente em @caderno_de_sociologia (Instagram).


Philip K. Dick e o realismo crítico

Philip K. Dick (1928-1982)


"A realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não desaparece."

Essa famosa frase de K. Dick rende boas problematizações em torno da relação entre epistemologia e ontologia.

Para o autor, a realidade, de alguma maneira, independe do que eu penso dela, a realidade "está lá fora".

Dick, assim como os teóricos do realismo crítico, critica a "falácia epistêmica", que atribui uma correspondência exata entre a subjetividade do ponto de vista do agente e a objetividade do mundo natural e social. 


Raphael Cruz

Réquiem para David Graeber



A antropologia, o pensamento crítico e o ativismo anti-capitalista perderam um de seus autores mais criativos e prolíficos.

David Graeber (1961-2020) é descrito por sua esposa como um melhor amigo e por seus alunos como paciente, engraçado e acolhedor.

O antropólogo norte-americano nasceu em NY e doutorou-se pela Universidade de Chicago com tese sobre memória e violência na Madagáscar rural, cujo orientador foi Marshall Sahlins.

Lecionou em Yale, Goldsmith e atualmente se encontrava no Departamento de Antropologia da London School of Economics.

Graeber era ativo politicamente, tendo se engajado no sindicalismo revolucionário da Industrial Workers of the World, no movimento antiglobalização e foi uma das lideranças do Occupy, sendo o criador do lema "somos os 99%".

Autor de uma vasta obra, teve publicado no Brasil "Dívida: os primeiros 5000 anos", "Um projeto de democracia" e "Fragmentos de uma antropologia anarquista", além de ceder entrevista a jornais e a TV brasileira.

Graeber faleceu em Veneza, na Itália, aos 59 anos, e deixou um legado importante para a antropologia e o ativismo anti-capitalista. 


Raphael Cruz

Publicado originalmente em @caderno_de_sociologia (Instagram)

Trabalho, guerra e revolução: As comunas agrárias makhnovistas

O que sabemos sobre as “comunas agrárias” implantadas pela Makhnovitchina?  Em suas memórias, Nestor Makhno (1988) descreve algo de sua orga...